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Resiliência é o novo uptime: aprendizados para o futuro da conectividade global

*Por Rafael Lozano

Durante décadas, o conceito de “uptime” foi o principal indicador de excelência em conectividade. Garantir disponibilidade máxima sempre foi prioridade para operadoras, provedores de infraestrutura e empresas digitais. Mas o cenário atual transformou profundamente essa lógica. Hoje, em um ambiente impulsionado por inteligência artificial, cloud distribuída, aplicações em tempo real e operações globais ininterruptas, apenas estar “online” já não basta. É aqui que a resiliência entra como um fator-chave.

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Mais do que um mero diferencial competitivo, a resiliência passou a ser uma necessidade imediata para a sobrevivência das empresas no mercado atual.  

A economia digital global entrou em uma era em que interrupções não são mais exceções improváveis. Elas fazem parte do ambiente operacional. Tensões geopolíticas, eventos climáticos extremos, ataques cibernéticos, falhas energéticas e incidentes envolvendo cabos submarinos tornaram evidente que a continuidade dos negócios depende da capacidade de adaptação e recuperação das redes, e não apenas de sua disponibilidade estatística.

Esse movimento já aparece claramente nas projeções do mercado. Segundo o Gartner, os investimentos globais em TI devem atingir US$ 6,31 trilhões em 2026, com crescimento de 13,5%, impulsionados especialmente pela expansão da infraestrutura de IA e data centers. Apenas os gastos com sistemas de data center devem crescer 55,8% em 2026. 

Esse crescimento exponencial cria uma pressão sem precedentes sobre as redes globais. Afinal, inteligência artificial não depende apenas de processamento: ela depende, sobretudo, de movimentação massiva de dados em alta velocidade, garantindo baixa latência e alta qualidade com confiabilidade contínua. 

O próprio Gartner destaca que a próxima onda da infraestrutura digital será sustentada por redes híbridas, arquiteturas distribuídas e operações cada vez mais orientadas por automação inteligente. Entre as principais tendências para infraestrutura e operações em 2026, a consultoria aponta a necessidade de ambientes mais adaptáveis, escaláveis e resilientes para suportar aplicações críticas e workloads de IA. 

Além disso, um estudo recente da IDC, divulgado pela IBM, mostra que as redes corporativas tradicionais já enfrentam dificuldades para suportar os novos requisitos de IA em produção. O levantamento aponta que organizações precisam modernizar urgentemente suas arquiteturas para reduzir downtime, mitigar riscos operacionais e aumentar resiliência e segurança. 

Na prática, isso significa que o futuro da conectividade global será definido menos pela capacidade máxima de transmissão e mais pela inteligência da infraestrutura em responder rapidamente a falhas, redistribuir tráfego e manter serviços críticos operando mesmo em cenários adversos. É essa engenharia robusta que viabiliza a entrega constante de serviços de alta qualidade e latência ultrabaixa, pilares inegociáveis para a experiência do usuário final. 

Nesse contexto, os sistemas submarinos ganham importância ainda mais estratégica. Hoje, cerca de 99% do tráfego internacional de internet trafega por cabos submarinos, tornando essa infraestrutura um ativo essencial para economias digitais, plataformas financeiras, cloud computing e aplicações de IA, de acordo com a UN News

Ao mesmo tempo, cresce a preocupação global com a vulnerabilidade desses ativos. Eventos recentes envolvendo riscos geopolíticos em rotas marítimas estratégicas reforçaram o debate sobre redundância, diversidade de rotas e proteção de infraestrutura crítica. A própria expansão de novos sistemas submarinos por hyperscalers e provedores globais tem sido guiada pelo conceito de resiliência operacional. Um exemplo é o projeto “Fastnet”, da AWS, concebido para ampliar redundância e reduzir impactos de eventuais interrupções em outras rotas transatlânticas. 

Para empresas e governos, isso traz um aprendizado importante: conectividade resiliente deixou de ser apenas uma questão técnica. Tornou-se uma estratégia de continuidade de negócios e competitividade.

Na América Latina e no Atlântico Sul, essa discussão assume relevância ainda maior. A digitalização acelerada da região, o crescimento do consumo de cloud, streaming, IA e serviços financeiros digitais exige uma infraestrutura internacional robusta, diversa e preparada para suportar picos de demanda e cenários de contingência.

É justamente nesse ponto que a visão de longo prazo se torna decisiva. Construir resiliência significa investir não apenas em capacidade, mas em diversidade geográfica, múltiplas rotas, monitoramento inteligente, baixa latência e integração entre ecossistemas globais. Essa robustez dos bastidores é o único caminho técnico capaz de sustentar a alta performance em tempo real. 

O conceito tradicional de uptime media quanto tempo uma rede permanecia ativa. A resiliência mede algo muito mais relevante para o futuro: a capacidade da infraestrutura de continuar operando mesmo diante da imprevisibilidade.

E, na economia digital orientada por IA, essa capacidade será um dos principais pilares para sobreviver no mercado atual. *Rafael Lozano é CEO da TelCables Brasil.

Este artigo é de total responsabilidade do autor, não representando, necessariamente, a opinião do Portal IPNews.

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