Analista da consultoria acredita que cobrança por dados é mais justa com consumidor que consome menos dados.
Se muitos brasileiros e associações de proteção ao consumidor estão insatisfeitos com a intenção das operadoras de banda larga fixa cobrarem por franquia de dados, a IDC pensa exatamente o contrário. Para o analista João Paulo Bruder, coordenador de Pesquisas de Telecom da IDC Brasil, a medida é mais justa e vai beneficiar diretamente quem consome menos dados. Isso porque, segundo ele, os menores consumidores bancam quem consome mais.
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“Pegue como exemplo uma família de quatro pessoas: enquanto o pai assiste série no Netflix em HD, um dos filhos joga online, a filha assiste um youtuber e a mãe navega nas redes sociais. Essa família consome um volume considerável de dados. Comparemos então com um casal de idosos que possui o mesmo plano de banda larga, mas que só a utilizem para navegar na Internet e rotear para as visitas. Você tem uma discrepância onde quem consome menos paga a mesma coisa de quem consome mais”, explica.
Em outras palavras, a iniciativa das operadoras é ruim para quem consome muito. “Se o usuário estiver na faixa de consumo média ou baixa, a Internet ficará mais barata”, aposta Bruder. Mas a questão do preço também vai depender da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) fiscalizar a receita das operadoras, para que elas não lucrem mais do que lucram hoje.
O analista explica que a franquia de dados, em tese, não visa aumentar o faturamento das empresas, mas sim evitar que o usuário final revenda sua banda larga pelo sinal de Wi-Fi e facilitar a gestão da rede. “O limite de tráfego de dados traz previsibilidade, fazendo com que a operadora saiba exatamente quanto de banda enviar para cada região”, diz.
Quanto às afirmativas de que a medida visa diminuir o consumo de over the top’s (OTT), como o Netflix e o YouTube, trazendo de volta os antigos consumidores da TV por assinatura, Bruder diz que este não é o objetivo das operadoras. “O serviço de TV por assinatura tem caído por causa do modelo de negócio. O consumidor não quer se prender a horários e a conteúdos programados; ele quer assistir o que der vontade, na hora que quiser”, diz.
Na opinião dele, a franquia de dados pode até trazer esse benefício às operadoras, mas é preciso lembrar que o consumidor só deseja utilizar a Internet para consumir serviços como o do Netflix, Facebook e demais provedores de conteúdo. “O caso entre operadoras e OTT’s é de amor e ódio, uma não vive sem a outra”, avalia.

