Companhia se reorganizou para focar mais na nuvem e em computação de ponta, tecnologias que a deixam na rota de operadoras sem fio.
Recentemente, a Microsoft anunciou uma reorganização corporativa que a torna mais voltada aos serviços em nuvem e computação de ponta, além de um investimento de US$ 5 bilhões em Internet das Coisas (IoT) nos próximos quatro anos. A iniciativa coloca a empresa mais perto do mercado wireless, em concorrência direta com as maiores operadoras sem fio: as norte-americanas AT&T e Verizon.
Microsoft investirá US$ 5 bilhões em Internet das Coisas
As duas companhias, porém, também são clientes de produtos da Microsoft e podem acabar posicionando a empresa de Redmond como um fornecedor de produtos e serviço às operadoras sem fio. “É um caso clássico de ‘frenemies’. Em algumas situações, você é parceiro e, em alguns casos, está competindo”, explicou o analista da Ovum, Daryl Schoolar, ao site FierceWireless.
O anúncio da Microsoft aponta que a empresa irá se reorganizar para concentrar-se mais plenamente na “nuvem inteligente e vantagem inteligente”. A ação parece colocar os principais negócios do Windows em segundo plano, enquanto a empresa se concentra em áreas como nuvem, inteligência artificial e outras áreas de alta tecnologia.
Talvez mais relevante para as operadoras sem fio, no entanto, foi a promessa da Microsoft nesta semana de expandir drasticamente seu investimento em IoT. As operadoras de telefonia móvel em todo o mundo esperam aumentar as receitas de smartphones conectando milhões e talvez bilhões de dispositivos de IoT, desde dispositivos vestíveis (wearables) a equipamentos agrícolas.
Os negócios de IoT da Microsoft movidos pela Azure abrangem grande parte dos serviços IoT de função superior que algumas operadoras sem fio estão trabalhando para vender, como o gerenciamento de dispositivos por meio de conexões, incluindo Wi-Fi, 3G e LTE. Mas a Microsoft já está investindo em serviços de computação de borda IoT, como no lançamento, no ano passado, do “Microsoft Azure IoT Edge”, que ajuda a aproximar os recursos de computação do Azure da empresa aos dispositivos dos clientes. Esse é o mesmo tipo de serviço que operadores sem fio, como a AT&T, estão investindo.
Em alguns casos, fica claro que os esforços da Microsoft estão posicionando a empresa para uma parceria mais próxima com as operadoras de telefonia celular. De fato, a Telefónica na Espanha anunciou que integraria sua plataforma de conectividade IoT com o Microsoft Azure IoT Suite, permitindo assim que a Telefónica ofereça a seus clientes uma Solução de Conectividade Gerenciada IoT global que ajuda seus clientes a conectar seus dispositivos IoT com facilidade, segurança e confiabilidade.
No entanto, como observado por Schoolar, em outras situações, os investimentos em IoT da Microsoft poderiam relegar as operadoras de telefonia celular apenas a um provedor de conexões, eliminando as operadoras da parte mais valiosa da equação dos serviços de IoT.
É claro que algumas operadoras de telefonia móvel estão dispostas a vender plataformas e serviços de IoT além da conectividade simples, como a IoT Platform da AT&T e o ThingSpace da Verizon. Mas outras empresas de tecnologia também concorrem neste mercado, como o Google, a Cisco e outras grandes empresas de tecnologia também estão trabalhando para vender ofertas de gerenciamento de IoT além da conectividade.

