Em maio de 2017, uma das fábricas da Renault na América Latina foi vítima do ataque WannaCry. O impacto, que ocorreu em uma sexta-feira 12 daquele mês, deixou a montadora parada durante seis horas, porém, no domingo (14) seguinte, a linha de produção já havia voltado ao normal. A velocidade na restauração da Renault foi graças ao plano de segurança industrial da empresa, que optou por não pagar pelo resgate das máquinas sequestradas.
Claudio Lezcano, CISO da Aliança Renault Nissan para Américas, explica que o plano de recuperação, composto por data centers redundantes, testes de backup e disaster recovery feitos com frequência e com planos de gestão de crise para lidar com diferentes cenários, foi o pilar que permitiu a rápida volta da empresa.
“Nós montamos uma equipe de trabalho para lidar com o incidente e seguimos o plano, bloqueando as máquinas infectadas da nossa rede e restaurando o backup. Não pagamos nada, porque essa é a nossa política”, diz o executivo.
A segurança da Renault também é garantida por diferentes marcas de soluções de segurança, como McAfee e Eset, a separação entre rede industrial e corporativa, treinamento dos funcionários e um Centro de Operações de Segurança (SOC) próprio na França. “Os resultados do nosso plano de segurança são apresentados uma vez por ano aos diretores da companhia, assim como a atualização dele”, explica.
Todo esse aparato permitiu que a fábrica conseguisse voltar a operar já no domingo, segundo Lezcano, e poderiam ter voltado já no sábado. “A produção iria ficar parada no sábado, já que não havia escala de produção naquele dia. No domingo, que já estava agendado, funcionou normalmente.”
O WannaCry, além de colocar o plano de segurança a prova e mostrar que ele é eficiente, também fez com que ele fosse atualizado. “Após o ataque, nós blindamos as máquinas que não podem ser atualizadas e passamos a aceitar apenas contratos com fornecedores que ofereçam a manutenção de suas tecnologias”, diz.
Indústria 4.0
Lezcano agora estuda como atualizar o plano para a Indústria 4.0. No final de julho deste ano, a Renault definiu um framework para quando forem começar um projeto do tipo e descobrir se é compatível com o plano de segurança da montadora.
O primeiro passo, porém, será segregar alguns dispositivos de Internet das Coisas (IoT). “Se for um sensor de monitoramento que sua incapacidade não atrapalhe a produção, não será preciso segregar, mas se for um com alguma atividade específica e sua parada influencie a fábrica, vamos segrega-lo para permitir maiores condições de segurança”, explica.

