Segundo o professor Vivaldo José Breternitz, da faculdade de Computação e Informática da Universidade Presbiteriana Mackenzie, a Amazon está prestes a disponibilizar para grandes supermercados sua tecnologia que dispensa o uso de caixas, que já vem sendo utilizada nas lojas de conveniência Amazon Go desde 2018.
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A medida pode confirmar a estratégia da Amazon no sentido de desenvolver tecnologias para uso próprio e depois transformá-las em serviços lucrativos, oferecendo-as a terceiros. A oferta consistiria em uma combinação de câmeras e sensores para identificar automaticamente clientes e produtos conforme eles andam pela loja e escolhem o que comprarão – na saída, o valor da compra é automaticamente debitado do cartão de crédito do cliente que foi usado para destravar uma catraca na entrada da loja.
No entanto, o professor destaca dois dilemas. O primeiro é sobre o uso dos dados de clientes e o que será feito com eles. “A Amazon, como é de se esperar, diz que só os usará para processar as vendas. A ver”, aponta ele.
O segundo problema é o aumento do desemprego. “Apenas uma grande rede varejista no Brasil tem cerca de 90 mil funcionários operadores de caixa; para essas pessoas, o cenário, em futuro próximo é muito ruim”, afirma. Breternitz explica que não se trata de combater o desenvolvimento tecnológico, “mas a sociedade precisa se estruturar para dar suporte aos que forem expelidos do mercado de trabalho”.
O professor ainda destaca que a demora para a disponibilização da tecnologia para terceiros deve-se às diferenças entre usá-la numa loja de 650 metros quadrados, como as maiores da Amazon Go, ou em um grande supermercado, que pode ter o triplo dessa área. Empresas rivais que trabalham com tecnologias similares dizem que precisarão de um ou talvez dois anos para as lançar, o que dá à Amazon uma grande vantagem competitiva.
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