Entrevista da SemanaEspeciaisRede

A arrancada dos projetos de redes privadas em tecnologia 5G

A tecnologia 5G começa a ganhar musculatura mundo afora, especialmente no quesito das redes privadas. Segundo levantamento trimestral feito pela Omdia, 35% das instalações de redes móveis feitas pelas empresas já contemplam a tecnologia, com acentuação dos projetos nos últimos cinco anos, e 42% são redes privadas 4G LTE.

 

CONTEÚDO RELACIONADO – Redes 5G privadas devem superar Wi-Fi em áreas de grande cobertura

 

O estudo ouviu representantes de 451 empresas nos sete países que mais se destacam em redes 5G, entre eles, Estados Unidos, China, França, Alemanha e Australia. Segundo Ari Lopes, gerente sênior da Omdia, a América Latina e, particularmente, o Brasil não aparecem no estudo pelo baixo número de implementações.

Esta constatação, no entanto, não se traduz e desinteresse. Segundo Lopes, a região se movimenta fortemente no sentido do 5G privado. Setores como o automotivo, mineração, manufatura e utilities, observam atentamente o amadurecimento da tecnologia. Mas o tempo de maturação dos projetos, de acordo com Lopes, não será inferior a dois anos, devido à complexidade e o risco dos investimentos.

“Imagine o risco de se perder o controle de um caminhão autônomo durante a operação em uma mineradora, ou de um robô durante uma cirurgia?”, destaca Ari Lopes. “Para estas empresas, o 4G já traz um ganho muito bom, porque conecta, por exemplo, caminhões autônomos e as pessoas, algo importante por se tratar de um ambiente de risco. Já o 5G também tem forte apelo porque, entre outros ganhos, deve viabilizar o aumento da velocidade dos caminhões autônomos em 50%, saltando de 20 km/h para 30 km/h.

“Outro tema que gera interesse neste setor é a possiblidade da conexão das mineradoras à nuvem. Este é um ambiente com alta concentração de minério de ferro, algo que interfere no desempenho dos data centers, mesmo com todos os filtros e isolamentos para evitar curto-circuito. Se eles conseguirem colocar os dados das minas em nuvem, será um grande ganho”, diz Lopes.

Novo desenho do mercado

O estudo também mostra o 5G no ambiente privado provocará um novo desenho do mercado. Há em andamento múltiplos modelos de negócios, desde a tradicional oferta das operadoras de telefonia móvel, passando pela terceirização parcial da implementação de gestão dos projetos para os integradores, até a operação feita diretamente pela corporação.

“Na Alemanha, por exemplo, uma empresa pode solicitar a alocação de um espectro para uso privado. Já na China todo o espectro está nas mãos das operadoras de telefonia. Já os Estados Unidos ainda desenham um modelo, assim como no Brasil onde ainda avaliamos que modelo prevalecerá”, encerra Ari Lopes.

Participe das comunidades IPNews no InstagramFacebookLinkedIn e Twitter. 

Newsletter

Inscreva-se para receber nossa newsletter semanal
com as principais notícias em primeira mão.


    Deixe um comentário

    O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *