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A importância da voz feminina na evolução do mercado de tecnologia

*Por Ana Kassab

No Brasil, existem seis milhões de mulheres a mais do que homens. Segundo os dados do Censo do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), representamos mais da metade da população brasileira. Ainda assim, o setor de tecnologia é historicamente dominado por homens, o que impõe grandes desafios às mulheres. Embora sendo de forma gradual, as empresas estão se tornando mais receptivas e investindo em programas de desenvolvimento e liderança feminina, o que contribui para a criação de um ambiente mais inclusivo, diverso e inovador.

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Segundo o relatório “Delivering Through Diversity” da McKinsey & Company, a diversidade de gênero se relaciona tanto com a rentabilidade quanto com a criação de valor de uma empresa. O estudo diz que 21% das companhias que investem em diversidade nas lideranças são mais propensas a superar os concorrentes em termos financeiros. Esses números reforçam a relevância de uma representatividade feminina forte no mercado, algo que, pessoalmente, vivenciei ao longo da minha carreira no campo da infraestrutura de TI.

Minha formação inicial não foi em tecnologia. Sou formada em hotelaria, de modo que não estava nos meus planos chegar a uma posição de liderança numa das maiores empresas do mundo do setor. Mas há algo em comum que me impulsionou tanto no ramo de hotelaria quanto no de tecnologia: a vontade de resolver problemas, o gosto por aprender e a busca por desafios. Quando comecei minha carreira, trabalhei em áreas de backoffice; quando vi uma oportunidade na área de TI, decidi agarrá-la. Embora eu não tivesse a formação técnica tradicional, isso não me impediu de buscar conhecimento e de me qualificar para as funções que queria desempenhar.

Ao longo da minha jornada, fui a responsável por um projeto técnico com uma equipe de 70 pessoas, sendo que apenas três profissionais eram mulheres. Essa disparidade reflete a realidade de muitos projetos de tecnologia, onde a presença feminina ainda é extremamente baixa. Um levantamento do Fórum Econômico Mundial apontou que, no ritmo atual de progresso, o mundo levará 132 anos para que haja uma paridade completa entre homens e mulheres. Diante disso, sabia que seria desafiador liderar uma equipe predominantemente masculina. No entanto, com muita perseverança e foco, conseguimos completar o projeto com sucesso. Esse projeto não só foi um marco na minha carreira, mas também uma grande vitória para minha equipe, pois foi reconhecido internamente, resultando em prêmios e em maior respeito pela minha liderança.

Embora o conhecimento técnico fosse essencial, a forma como nos comunicamos com a equipe e com os clientes fez toda a diferença. Era preciso traduzir conhecimento de forma clara e eficaz, para que todos pudessem compreender as soluções propostas. Esse equilíbrio entre habilidades técnicas e de comunicação foi um fator crucial para uma mulher ganhar espaço em um ambiente predominantemente masculino.

Esse desafio é ainda mais significativo quando olhamos para os dados do setor. Apesar de um crescimento positivo, como mostram os números do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (CAGED), que indicam um aumento de 60% na participação feminina entre 2015 e 2022 no setor de tecnologia, a realidade ainda é desigual. Hoje, 83,3% do mercado de tecnologia é composto por homens, enquanto as mulheres ocupam apenas 12,3% dos cargos. Isso demonstra que, apesar de avanços, as mulheres ainda enfrentam obstáculos consideráveis para se estabelecerem e conquistarem posições de liderança no setor.

Diante desse cenário, acredito que é essencial agir ativamente para mudar essa realidade. Hoje, como mentora no programa IT for Girls da NTT Data, me dedico a inspirar e orientar as novas gerações de mulheres, independente das barreiras que possam encontrar. Eu sou a prova de que, mesmo sem uma formação técnica tradicional, é possível alcançar posições de destaque no setor de TI. Além disso, acredito que o papel das mulheres na tecnologia vai muito além de simplesmente preencher uma vaga. Quando uma mulher ocupa uma posição de liderança, ela abre o caminho para outras, mostrando que também há espaço para elas.

Hoje, vejo mais mulheres ocupando papéis importantes na tecnologia, tanto em posições técnicas quanto de liderança. Se eu pudesse dar um conselho para aquelas que estão começando agora na carreira, seria: acredite em você mesma. Não tenha medo de se posicionar, de mostrar o seu conhecimento e de buscar as oportunidades que você deseja. Acredite que o seu lugar também está na liderança, e que você tem todas as capacidades para chegar lá. Hoje, como líder no setor de TI, sei que a representatividade feminina não é apenas uma questão de justiça, mas de enriquecimento do setor como um todo. O lugar das mulheres na tecnologia é, sem dúvida, na linha de frente da inovação, e eu quero ser uma das muitas que ajudam a pavimentar esse caminho para as futuras gerações. *Ana Kassab é Gerente Sênior de Client Services Delivery na NTT DATA.

Este artigo é de total responsabilidade da autora, não refletindo, necessariamente, a opinião do Portal IPNews.

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