Conhecimento

A importância de avaliar o risco estratégico

Os gestores devem ter em mente que a Análise de Risco Estratégico é uma ferramenta de crescimento, oportunidade e competitividade.

Em 1999, uma das grandes montadoras americanas tomou posse de uma linha de jipes civis de grande porte, que até o final da década passada eram famosos por seu design arrojado, e estilo militar e motores super potentes. Entretanto, a crise econômica e as mudanças entre as relações humanas e ambientais, elevaram o preço do petróleo reduzindo a procura e o consumo destes automóveis. Hoje, a linha de produção do jipe foi cancelada e o buraco financeiro é a única lembrança deixada por conta de uma análise estratégica mal elaborada.

No Brasil, poucas empresas utilizam a chamada Análise de Risco Estratégico e essa é uma nova tendência que deve ser observada. As companhias, normalmente, possuem as chamadas áreas de risco corporativo compostas por compliance, controladoria, entre outras, que analisam os riscos com um foco financeiro, operacional e organizacional. O Risco Estratégico, que é o risco externo envolvendo clientes, fornecedores, concorrentes, cenário político, aspectos econômicos, setoriais tecnológicos, raramente é analisado. E é ele que alinha estratégias com as condições de mercado. Esse risco é analisado por um setor chamado Inteligência de Mercado (IM). O erro da montadora acima foi de não contemplar os fatores externos, como a onda de sustentabilidade.

Muitas empresas já sofreram por ignorar este tipo de risco. Isto é, deixam de avaliar, por exemplo, o risco do produto principal ter a tecnologia substituída. A Polaroid e Olivetti são exemplos da falta de análise do risco estratégico. Não estavam prevendo que computadores e câmera digital devastassem seu market share. Não responderam a simples pergunta: e se um concorrente lançar um produto inovador no mercado? Sem analisar os riscos de avanços tecnológicos não puderam evitar problemas na companhia. Na contramão, a Kodak, recentemente, passou por uma enorme reestruturação e uma mudança de foco para acompanhar a evolução da tecnologia digital e voltar a sua posição de destaque no mercado da fotografia.

O que os gestores devem ter em mente é que o Risco estratégico é uma ferramenta de crescimento, oportunidade e competitividade. No Brasil, atualmente, a análise de Risco estratégico é contemplada por apenas 0,3% das companhias, segundo pesquisa realizada pelo Ibramerc – Instituto Brasileiro de Inteligência de Mercado.

Este baixo índice pode ser atribuído a falta de produtos com este tipo de informação, tendo em vista a complexidade para elaborá-lo – o relatório de risco contempla em um produto só, entre outras, as três análises mais usadas atualmente – SWOT, tendências e cenário.  Outra barreira para disseminação da importância da análise de risco estratégico dentro das companhias se deve ao fato da área de Inteligência de Mercado (IM) não ter uma definição formal dentro das empresas. Inteligência Competitiva não faz parte da área de risco corporativo e planejamento, que, por sua vez, não está familiarizada com as técnicas utilizadas nesse setor.

A mensuração do Risco Estratégico não se resolve simplesmente com Software, Data Mining ou qualquer outra tecnologia. A avaliação precisa do Risco Estratégico implica em pessoas, internas e externas, que tragam visões diferenciadas.

Muitas companhias já têm caminhado para aprimorar a Inteligência de Mercado em suas instituições. Porém, há muito que percorrer.  A maturidade nesse segmento passa por uma série de passos como pensar em formalizar áreas de Inteligência de Mercado dentro da empresas, aproximar e criar um vínculo com a área de Risco Corporativo e internalizar a idéia de risco dentro da área de Inteligência de Mercado, isto é, pensar em riscos quando estiver lendo ou desenvolvendo uma análise, trazer o risco para as conversas e discussões; separar um dia para se falar de riscos, entre outras ações. Aos poucos essa nova área vai começar a se delinear mais nas companhias e em xx anos não será possível imaginar uma tomada de decisão sem a presença do setor de Inteligência de Mercado.

*Alex Leite é CEO da Lafis

 

 

 

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