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A sustentabilidade dos projetos de IoT está em xeque, alerta ABINC

A integração entre Internet das Coisas (IoT) e inteligência artificial (IA) avança nas empresas brasileiras, mas o ritmo de crescimento do setor está ameaçado por entraves de conectividade e custos de operação. É o que revela a pesquisa Panorama do IoT no Brasil 2025, conduzida pela Associação Brasileira de Internet das Coisas (ABINC) e pelo portal TI Inside.

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O estudo mostra que 81,7% das empresas fornecedoras de soluções IoT já utilizam ou estão desenvolvendo aplicações com IA embarcada, consolidando a convergência tecnológica entre automação, análise de dados e monitoramento remoto. Apesar disso, a falta de infraestrutura de rede e a incerteza quanto à renovação de incentivos fiscais colocam em risco a sustentabilidade econômica dos projetos.

Conectividade é o principal gargalo

De acordo com o Coordenador do Comitê de Estudos de IoT e Gêmeo Digital da ABINC, Rogério Moreira, a conectividade é o maior desafio técnico do mercado. A rede celular, base para a maioria das aplicações em larga escala, enfrenta custos elevados e indefinições regulatórias.

“O IoT depende de redes amplamente disponíveis e com custo acessível. O Brasil tem cobertura celular em praticamente todos os municípios, mas o preço do uso dessa infraestrutura é alto, e ainda não há definição sobre a continuidade dos incentivos fiscais. Isso pode comprometer o setor”, afirma Moreira.

A isenção das taxas de comunicação na rede celular, instituída para estimular o desenvolvimento do IoT, expira em dezembro de 2025. O projeto de lei que propõe sua prorrogação, de autoria do deputado Vitor Lipe, ainda aguarda votação na Câmara dos Deputados. Segundo Moreira, o fim do benefício tornaria inviáveis diversas aplicações.

“Antes da isenção, o IoT celular estava travado. Se o benefício acabar, voltaremos a esse cenário”, alerta.

Redes alternativas ainda têm alcance limitado

As redes dedicadas à IoT, como LoRaWAN e Sigfox, estão se expandindo, mas ainda cobrem apenas cerca de 400 municípios, o que restringe o uso a projetos regionais. Já as redes satelitais, que ganharam relevância nos últimos anos, oferecem cobertura global, mas com custo mais alto por dispositivo, o que inviabiliza aplicações em massa.

Sem políticas de estímulo específicas, o setor fica dependente da rede celular, que é usada em soluções de medição de energia, controle de água e rastreamento de ativos. “Em outros países, há subsídios e diretrizes públicas para expansão das redes IoT. No Brasil, precisamos de clareza regulatória e continuidade dos incentivos”, reforça Moreira.

Custos e desafios internos

A pesquisa da ABINC aponta que 23,9% das empresas veem o custo de implementação como o principal entrave, seguido por conectividade (22,5%) e baixa adesão dos clientes (21,1%). Dentro das companhias, as principais dificuldades estão ligadas a custos operacionais (25%), segurança e privacidade de dados (20%) e falta de conhecimento técnico (15%).

Para a entidade, a atualização do Plano Nacional de IoT, lançado em 2019, é essencial para alinhar o setor às novas tecnologias e tendências. “O plano foi importante para estruturar o mercado, mas precisa incorporar IA, 5G e modelos de incentivo para redes emergentes”, afirma Moreira.

O estudo também mostra que 63,3% das empresas apontam a integração entre IoT e IA como a principal tendência até 2027, enquanto 13,3% destacam a expansão do 5G como infraestrutura fundamental para aplicações industriais e de cidades inteligentes.

Com o avanço da IA embarcada e a crescente demanda por conectividade, o futuro do IoT no Brasil dependerá da capacidade do país de criar condições técnicas e regulatórias que garantam a viabilidade econômica dos projetos.

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