Ponto de Vista

A velha nova urgência: Projetos alinhados ao negócio

Marcos Gomes de Abreu, professor da universidade UCLEm seu texto de estréia como articulista fixo do Portal Meta-Análise, Marcos Gomes de Abreu, professor de MBA da universidade UCL, lista os mais importantes modelos de projetos em TI e fala da importância do alinhamento entre TI e negócios, especialmente em tempos de crise.

Economia estável, inflação controlada e crescimento razoável – apesar do cabresto curto do governo para impedir uma aceleração demasiada da economia – fizeram com que passássemos os últimos anos em céu de brigadeiro.  Nesse cenário, de dinheiro farto e oportunidades à flor da pele, projetos em TI surgiam em todos os segmentos tendo sua  aprovação e liberação de verbas ocorrendo de forma rápida e, muitas vezes, sem análises de viabilidade ou necessidade.Tivemos uma onda crescente de euforia que gerou projetos de diversos portes, onde muitos eram urgentes na sua requisição e adiáveis ou desnecessários em sua necessidade real. Honestamente vi e também li sobre vários projetos que atendiam a tudo, menos ao negócio.

E agora o cenário mudou, existem nuvens densas no horizonte com ventos forte de crise vindo de todos os lados e, por hora, não se consegue vislumbrar a volta do bom e velho céu de brigadeiro em um espaço curto de tempo.  Em todo canto ouvimos sobre projetos que estavam assinados e foram cancelados; de projetos que já estavam aprovados e que foram adiados e da falta de previsão de investimentos para o próximo ano.

Agora, mais do que nunca, faz-se necessário investir no que tem retorno garantido e investir  no que é essencial ao negócio . Ter metodologias que garantam a entrega desse investimento no tempo, custo  e qualidade acordado e métricas que demonstrem claramente se o resultado aferido foi o resulto proposto no início do projeto.

Mas como fazer isso? Como garantir que os investimentos de TI serão aqueles que realmente atenderão o negócio?

Para termos um TI alinhado ao negócio é importante termos alguns modelos implantados, não necessariamente em sua totalidade, mas em nível mínimo para o TI gerar valor real ao negócio.

Alguns modelos que considero essenciais são:

PMI: A gestão de projetos, em todas as áreas da empresa e não apenas no TI, é um fator crucial para garantir que os projetos obtenham sucesso, ou seja, alcancem os objetivos dentro do tempo previsto, com a qualidade desejada e dentro do orçamento, com segurança e satisfação de todos os participantes.

Gestão de Portfólio:  Conceitualmente é uma ponte que liga a estratégias da organização com as iniciativas dos projetos. Com a gestão de portfólio priorizamos os projetos segundo alguns critérios, que podem e devem variar de empresa para empresa.  Alguns critérios são essenciais em cada projeto: Custo, Retorno sobre o Investimento, Obrigatório por ter que atender a normas específicas da organização (BACEN 3380, SOX, etc.), Prazo de Implantação,  Posicionamento estratégico, dentre outros.

Val IT: Dividido em quatro áreas e nos traz perguntas intrigantes sobre o TI. Mais especificamente, a Val IT coloca o enfoque nas decisões de investimento (estamos fazendo o que é certo?) e na realização de benefícios (estamos obtendo os benefícios?).  A aplicação efetiva dos princípios, processos e práticas contidas no Val IT permitirão que as organizações:
·         Aumentem a probabilidade se selecionarem investimentos com o potencial de gerar retornos elevados;
·         Aumentem a probabilidade de sucesso na execução de investimentos selecionados, de modo a atingirem ou excederem o seu retorno potencial;
·         Reduzam os custos, através da não realização de coisas que não deveriam ser feitas, ou mesmo do cancelamento de investimentos que não disponibilizam o seu potencial esperado;
·         Reduzam o risco de fracasso, especialmente o fracasso de grande impacto;
·         Reduzam as surpresas relativas aos custos e disponibilização de TI e, ao fazerem isto, aumentem o valor de negócio, reduzam os custos desnecessários e aumentem o nível global de confiança na TI
Fonte: (www.isaca.com).

Eu acredito que antes destas metodologias (exceção ao PMI, que ao meu ver deve ser o primeiro de todos), o TI deve ser obrigatoriamente gerenciado, ou seja: os serviços do TI são claros e os prazos acordados estão sendo cumpridos; os papéis e responsabilidade são claras e existe uma gestão mínima de contrato e terceiros, dentro outros itens.

* Marcos Gomes de Abreu é pós-graduado em Gestão de Projetos em TI pelo IPT/USP, já atuou como gestor em equipes de Sistemas e de Infra-estrutura e atualmente trabalha como Gerente de Segurança da Informação, além de lecionar no curso de MBA de Governança de TI e Segurança da Informação na Faculdade do Centro Leste (UCL).

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