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Abril, Bandeirantes e Globo defendem publicidade como pilar da democracia

Palestrando no IV Congresso Brasileiro de Publicidade, Roberto Civita, João Carlos Saad e João Roberto Marinho criticaram as recentes tentativas de restringir a publicidade no País.

Roberto Civita, do Grupo Abril

Roberto Civita, do Grupo Abril

Roberto Civita, presidente do Conselho de Administração do Grupo Abril, fez a palestra de abertura do segundo dia do IV Congresso Brasileiro de Publicidade abordando a relação entre a publicidade e a liberdade de imprensa. Ele destacou a importância da publicidade para garantir a liberdade de expressão e a independência editorial dos veículos de comunicação. "A publicidade é parte principal das economias livres e o que proporciona o alargamento das nações", comentou o executivo, para quem o IV Congresso é uma oportunidade de refletir sobre o papel do publicitário e do cidadão brasileiro. "No tripé da comunicação, a publicidade é um dos pilares da imprensa livre e independente. Sem publicidade não existiria uma imprensa vigorosa", completou.

Sobre as recentes restrições que ameaçam a publicidade, Civita afirmou que não é possível resolver problemas sociais de grande complexidade apenas com proibições à propaganda. Porém, disse que não devemos criticar toda e qualquer restrição ao setor. "Quanto mais defendemos a liberdade na publicidade maior é o compromisso em sermos responsáveis."

João Roberto Marinho, das Organizações Globo

João Roberto Marinho, das Organizações Globo

João Roberto Marinho, vice-presidente das Organizações Globo, iniciou sua apresentação sobre democracia e liberdade de expressão citando os diversos significados que estas foram ganhando ao longo do tempo – a começar com a Revolução Francesa, em 1789. Depois, enfocou a perda dessa liberdade por meio da censura durante o regime militar, e abordou as recentes tentativas de cercear a mídia, mesmo no regime democrático.

Como exemplo dessas tentativas de cerceamento, o executivo citou o processo enfrentado pelo jornal "Folha de S.Paulo" e pela "Editora Abril", multados por publicarem entrevistas com Marta Suplicy e outros candidatos à prefeitura de São Paulo. Segundo o Ministério Público Eleitoral, as matérias foram consideradas propaganda eleitoral. "Esse e outros casos colocam o leitor como incapaz de julgar. O poder público não pode cercear a liberdade dos veículos", afirmou, justificando que os veículos são livres a partir do momento em que obtêm concessões para existirem.
"Numa democracia, há pesos e contrapesos para lidar com questões polêmicas. A liberdade leva a um equilíbrio maior. É o exercício da liberdade que nos faz amadurecer como cidadãos", afirmou Marinho.

O vice-presidente das Organizações Globo ressaltou também o trabalho dos publicitários. "A propaganda também sofre censura, e ela também é responsável por formar o público. Só que, na visão paternalista, o consumidor é sempre desavisado", diz. Para o jornalista, "estamos aptos a julgar o que vemos, mas com as proibições até o conteúdo torna-se infantilizado", completa. Marinho finalizou sua palestra pedindo para que todos lutem pelo direito da liberdade de expressão: "Sem ela, a democracia nunca existirá."

João Carlos Saad, do Grupo Bandeirantes de Comunicação

João Carlos Saad, do Grupo Bandeirantes de Comunicação

Já o presidente do Grupo Bandeirantes de Comunicação, João Carlos Saad, discursou em defesa da auto-regulação do setor e pela liberdade de expressão, durante o jantar oferecido na segunda-feira (14/7) aos participantes do evento. Anfitrião da noite ao lado de Dalton Pastore, presidente do IV Congresso, Saad foi enfático: “Podem ficar tranqüilos que o setor de comunicação sabe se auto-regulamentar. Tenho ouvido muita coisa contra a liberdade de expressão, de pseudo-democratas que querem ditar regras sem nos consultar. Nós gastamos muito dinheiro em pesquisa para que venham leis e queiram decidir.”

O executivo propôs também que o Congresso Brasileiro de Publicidade seja tratado como uma Copa do Mundo: “Fica a sugestão de nos reunirmos a cada quatro anos, para que as mentes do setor se juntem na busca de soluções e propostas que dignifiquem a profissão. Espero que em 2012 realizemos o V Congresso”. Segundo Saad, o setor da comunicação deve estar atento à revolução, inclusive de mercado, que acontece devido a ascensão das classes C, D e E . “Eles não querem só eletrodomésticos, querem participar do avanço do país, querem discutir e evoluir”, ressaltou.

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