Pesquisas

Acesso a computador e web aumenta entre analfabetos e crianças

Índice de 9% em 2009 foi para 13% em 2010.

O Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br) constata na 6ª Pesquisa TIC Domicílios que entre 2009 e 2010 o maior crescimento proporcional de usuários de Internet está entre indivíduos com baixa escolaridade, especialmente entre analfabetos e jovens do ensino infantil, que passou de 9% em 2009 para 13% em 2010. Os entrevistados com ensino fundamental que acessam a rede são 43%, perante 36% em 2009, representando 19% de crescimento. Mais de 24 mil domicílios foram entrevistados em todas as regiões do Brasil sobre infraestrutura tecnológica nos domicílios, perfil dos usuários de computador e Internet, uso do computador e da web, além de mobilidade e portabilidade.

 

A proporção de domicílios brasileiros no Brasil com computador passou de 32% para 35%, um crescimento de 9%. Na área urbana, essa proporção passa de 36% em 2009, para 39% em 2010, registrando uma taxa de crescimento de 8%. Esses resultados mostram que a proporção de domicílios com computador mais que dobrou na área urbana nos últimos seis anos, embora o crescimento desse ano seja menor que o da pesquisa anterior. Em 2010, o acesso à Internet nos domicílios urbanos cresce 15% em relação ao ano anterior, aumento menor do que em 2009, quando este índice foi o maior desde o início do estudo. A média anual composta do crescimento do acesso à rede nos domicílios brasileiros urbanos foi de 19% no período entre 2005 e 2010.

Alexandre Barbosa, gerente do CETIC.br, analisa que nesta edição houve queda de usuários de acesso discado, presente em apenas 13% dos domicílios da zona urbana e um aumento proporcional das conexões de banda larga fixa, que estão em 68% dos domicílios com acesso à Internet na zona nesta região do país. Os indicadores retratam ainda um aumento expressivo de conexões de banda larga móvel, reflexo da ampliação de novas tecnologias portáteis, principalmente a tecnologia 3G.

Verificou-se o crescimento expressivo das conexões de banda larga fixa, especialmente na zona rural do país: entre 2009 e 2010, a proporção de domicílios com conexão de banda larga cresceu nove pontos percentuais. Observa-se também que conexões de banda larga móvel (como o 3G), cresceram tanto nas áreas urbanas como nas rurais. Nas áreas urbanas, esse crescimento foi de 67% em relação a 2009 e nas áreas rurais foi de 63% em relação à edição anterior.

Em 2010, observa-se crescimento considerável do acesso à Internet no domicílio. Entre o total da população brasileira urbana, o crescimento foi de sete pontos percentuais em relação à 2009. “Trabalho” (22%), “escola” (14%), “casa de outras pessoas” (27%) e “centros públicos de acesso gratuito à Internet (telecentros)” (4%) mantiveram os mesmos patamares da edição anterior.

No que se refere aos brasileiros que usam as redes sociais, considerando a participação em sites como Orkut e Facebook, observa-se que é expressiva a proporção de internautas que participam desta atividade na rede. A Região Nordeste desponta como um destaque, alcançando a marca de 75% de internautas que fazem uso de redes sociais, seguido das regiões Sul e Centro-Oeste, com 70%, Norte com 68% e Sudeste com 67%.

Em relação à faixa etária, 82% dos internautas mais jovens, na faixa de 16 a 24 anos participam de alguma rede social, uma diferença considerável de 12 pontos percentuais para os internautas entre 25 e 34 anos, faixa em que 70% dos internautas participam destas redes. Entre a população de usuários de Internet com idade acima de 65 anos, 45% fazem uso de redes sociais.

As barreiras para o acesso à Internet nos domicílios brasileiros estão associadas a problemas de custo e de infra-estrutura.  Dentre os domicílios que possuem computador, mas não dispõem de acesso à Internet no Total Brasil, observa-se que 49% não possui acesso à Internet devido ao alto custo do serviço e 23% pela falta de disponibilidade na área. A falta de interesse (16%) e de habilidade (12%) são citações mais tímidas porém relevantes, pois refletem barreiras que não são referentes à infraestrutura, mas à falta de apropriação da tecnologia pela população.

Entre as dificuldades encontradas pelos cidadãos no uso e navegação na Internet relacionadas à acessibilidade, as principais se referem à demora no acesso dos sites ou páginas são muito pesadas (37%), dificuldade de encontrar a informação desejada (22%), problemas para ler um texto longo (14%) e às páginas com janelas que aparecem na tela (11%).

A penetração dos notebooks nos domicílios brasileiros com computador cresceu mais de 60%, passando de 14% em 2009 para 23% em 2010. Ainda em relação aos computadores portáteis, o crescimento acontece especialmente em áreas urbanas e classes sociais mais elevadas. As áreas rurais apresentam estabilidade em relação à medição anterior: apenas 15% dos domicílios rurais possuem computadores portáteis. Por outro lado, nota-se um aumento expressivo da posse de computadores portáteis nas diferentes classes sociais: enquanto 70% dosdomicílios da classe A que tem computadores possuem um notebook, nas classes C, D e E, esse percentual cai pela metade.

Telefones celulares tiveram crescimento expressivo, especialmente entre os segmentos sociais menos favorecidos economicamente. Os maiores aumentos proporcionais dos domicílios com telefone celular ocorreram na zona rural – crescimento de 10 pontos percentuais em relação a 2009; na região Nordeste – o total de domicílios com aparelho celular passou de 63% em 2009 para 77% e na classe D e E, a ampliação de 2009 para 2010 foi de 9 pontos percentuais, passando de 54% em 2009, para 63% em 2010.

Realizada pelo Centro de Estudos sobre as Tecnologias da Informação e da Comunicação (CETIC.br), do Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR (NIC.br), a pesquisa apresenta resultados referentes a todo o Brasil, bem como recortes específicos para a área urbana e rural, presentes desde 2008.

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