Pesquisas

Ações conjuntas do Cone Sul elevam desenvolvimento das TICs

Segundo artigo do IPEA, países apostam na inclusão digital e em construção de fibra óptica.

Um dos estudos divulgado pelo IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) no segundo volume do “Panoramas da Comunicação e Telecomunicações” de 2012/2013, mostra as ações de cooperação das TICs nos países do Cone Sul.

Artigo do IPEA problematiza telecom brasileira

Conduzido por Irene Cristina Gurgel e Erika F. H. Werneck, o artigo aponta o Brasil como uma ‘ilha de prosperidade da América Latina’, seguido por outros países do Cone Sul, como Uruguai e Argentina, o que justifica o investimento de empresas de telecomunicações no País. O estudo destaca essas regiões como as mais prósperas da América Latina, devido a alta expectativa de vida e índices mais elevados de IDH (Índice de Desenvolvimento Humano).

Em faturamento de TICs, o Brasil aparece como o 4º maior mercado mundial (2012), por movimentar US$ 79 bilhões, atrás apenas dos EUA (US$ 353 bi), Japão (US$ 152 bi) e China (US$ 129 bi); e em investimento do setor, o país é o quinto, pois em 2012 o total investido pelas empresas locais chegou a R$ 11 bilhões, e o colocou atrás dos EUA (US$ 70 bi), China (US$ 34 bi), Japão (US$ 17 bi) e Índia (US$ 13 bi).

Inclusão digital

Um estudo divulgado pela UIT (União Internacional de Telecomunicações), em setembro de 2012, aponta que para cada incremento de 10% na penetração da banda larga, o PIB (Produto Interno Bruto) de uma região pode crescer 1,38% e as ações, segundo a pesquisa, são “catalisadoras” do desenvolvimento e inovação.

As ações conjuntas dos governos do Cone Sul são citadas, principalmente pela aposta na inclusão digital, e o artigo exemplifica os planos da Anatel de fomento à banda larga e de redução de custos de infraestrutura, e lembra: “embora a região conte com alta penetração do celular, que ultrapassou o limite de 100%, e da internet, ainda há milhões de pessoas que não têm acesso ás TICs”, adicionando que o serviço deve estar acessível a todos, inclusive população indígena e portadores de deficiência.

O artigo também citou a cooperação entre chefes de Estado e de Governos da América Latina e Caribe, durante a Conferência Mundial de Desenvolvimento das Telecomunicações em Hyderabad, na Índia, em 2010, em que os chefes de Estado estabeleceram algumas prioridades para o setor de TICs até 2014, entre elas o desenvolvimento de infraestrutura, marcos regulatórios nacionais, eficiência dos serviços, metas para o apagão analógico, redução de custos e capacitação e políticas de acesso. Segundo o estudo, as parcerias geraram recursos de US$ 53 bilhões para financiar projetos de infraestrutura (que reforcem a segurança cibernética).

Controle dos dados

A pesquisadora defende a construção de um anel de fibra óptica de 10 mil km para interligar os países latino-americanos e permitir a circulação do tráfego de voz e dados ma região, medida que ajudaria a controlar as comunicações no continente.

Anel ótico que interliga Brasil e Uruguai entra em funcionamento

“Para se ter uma ideia, no caso do Peru, o trajeto tem mais de 8 mil km, pois os dados percorrem um cabo submarino pelo oceano Atlântico até a América do Norte, e voltam por outro cabo pelo Pacífico”, explica, e adiciona que com o anel essa distância cairia para 2 mil km, o que ajudaria a aumentar a capacidade e velocidade da rede entre 20% e 30%, diminuindo os custos de roaming internacional “que estão 302.000% mais caros que em outras regiões do planeta”.

A construção de cabos submarinos (uma etapa já entrou em funcionamento em 2013) custaria cerca de R$ 100 milhões no primeiro momento. Segundo o levantamento, o plano foi aprovado por ministros dos países latinos em 2012, uma iniciativa que pode reduzir os custos, e no caso do Brasil, deveria estar em funcionamento até a Copa do Mundo de 2014.

O estudo também defende uma política de proteção de dados que garanta inclusão digital e barateie os custos das telecomunicações. Segundo a pesquisadora, o Brasil é o único do Cone Sul que não tem uma legislação para proteção de dados localmente, medida que considera essencial com a implantação da computação em nuvem, e ressalta que o país precisa definir se as empresas guardarão suas informações dentro ou fora do país. “Nos Estados Unidos, a legislação é rígida e o governo pode intervir”, avalia.

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