Economia Digital

Agentic commerce deve movimentar US$ 1,5 trilhão até 2030 e expõe papel crítico da infraestrutura de pagamentos

A evolução do comércio digital impulsionada por agentes de inteligência artificial deve levar o chamado agentic commerce a movimentar US$ 1,5 trilhão globalmente até 2030, segundo levantamento da Juniper Research. O crescimento ocorre a partir de uma base ainda incipiente, estimada em US$ 8 bilhões em 2026, e depende diretamente da maturidade da infraestrutura de conectividade e de pagamentos.

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Nesse modelo, agentes autônomos passam a executar toda a jornada de compra – da descoberta ao pagamento – sem interação humana direta. Essa dinâmica desloca o protagonismo da interface para os bastidores, onde redes, APIs e plataformas transacionais tornam-se o elemento crítico para viabilizar operações em escala.

O estudo aponta que a infraestrutura de pagamentos já começa a se reorganizar para suportar esse cenário. Empresas como Mastercard, Visa e Stripe lideram o desenvolvimento de capacidades voltadas a fluxos automatizados, incluindo integração com protocolos emergentes e suporte a transações iniciadas por máquinas.

Para além dos players, o principal desafio identificado está na fragmentação dos meios de pagamento em nível global. A diversidade de métodos locais impõe complexidade à orquestração das transações, um gargalo que só pode ser superado com maior padronização e integração entre sistemas.

Nesse contexto, a infraestrutura de conectividade assume papel estruturante. A viabilidade do agentic commerce depende de redes capazes de sustentar comunicação contínua entre agentes, plataformas e provedores de pagamento, com baixa latência, alta disponibilidade e segurança embutida. Sem essa base, a automação transacional tende a ficar restrita a casos pontuais.

O relatório também aponta que confiança ainda é um limitador relevante, especialmente em transações de maior valor ou em setores regulados. A tendência, no curto prazo, é que o modelo complemente o e-commerce tradicional.

Para operadoras, ISPs e fornecedores de infraestrutura, o movimento sinaliza uma mudança de posicionamento: de suporte ao tráfego digital para habilitadores diretos de novas cadeias de valor. Em um cenário onde máquinas negociam e transacionam entre si, a rede deixa de ser meio e passa a ser parte integrante do produto.

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