Para Frost & Sullivan, penetração dos aparelhos na região ainda é muito baixa. Principais motivos são os preços dos aparelhos e desconhecimento dos features e serviços.
Apesar da crescente popularidade dos smartphones na América Latina, o mercado para esses aparelhos na região ainda está engatinhando. Segundo pesquisa divulgada recentemente pela consultoria Frost & Sullivan, a penetração dos equipamentos em solo latino-americano hoje equivale à da Europa em 2004. “Enquanto a penetração atual no mundo está em 8,4% e na Europa 10,2%, na América Latina ela atinge 5,4%”, contou Andrés Sciarrota, analista na Frost & Sulivan para a área de Comunicações Móveis e Sem Fio.
O especialista atribuiu esse comportamento a alguns fatores. Em primeiro lugar, está o preço dos aparelhos, ainda proibitivo para grande parte da população na América Latina. “Para que os smartphones aumentem a participação nesse mercado, dependem primeiro de uma grande queda nos preços, ficando abaixo de 150 dólares”, disse o consultor. Além disso, há uma falta de conhecimento por parte dos consumidores em relação ao uso das funcionalidades dos aparelhos e à cobrança dos serviços. “Muitos têm medo de usar dados, pois acham que vão pagar muito. As operadoras vão ter que ensinar os clientes a utilizar isso”, avaliou.
Na opinião de Andrés Sciarrota, todos os principais países da América Latina terão um crescimento na adoção desse tipo de equipamento ano a ano, mas eles não devem atingir uma alta penetração pelo menos nos próximos quatro anos. Além disso, a lógica por trás da adoção deve variar de país para país. “Os usuários na Argentina, Brasil e Chile buscarão equipamentos que permitam uma melhor experiência e mais funções. Já os da Venezuela e México vêem seus telefones como símbolo de status”, revelou. O consultor disse ainda que a adoção no Brasil em relação à região é mediana, ficando atrás de outros países como Chile e Argentina.
Fator iPhone
Para Sciarrota, toda a expectativa em relação ao lançamento do smartphone da Apple na América Latina se deve muito mais a ações de promoção em parceria com as operadoras locais do que pelo aparelho em si. “O iPhone apresenta exatamente as mesmas funcionalidades que seus principais concorrentes: RIM, Nokia, Samsung, Motorola e HTC. Todos possuem design amigável, telas maiores, full e-mail, features musicais mais avançadas, câmeras, aplicações web e GPS”, comentou.
Assim, o consultor acredita que o aparelho servirá para chamar a atenção dos usuários. No entanto, os mais experientes, ao chegarem nas lojas, verão a grande oferta de produtos e acabarão optando também por outras marcas.

