Wireless

Alteração da freqüência 2,5G privilegia operadora móvel, diz executivo da Motorola

Para José Geraldo Alves de Almeida, decisão da agência reguladora apóia o oligopólio de banda larga móvel no Brasil e tira o direito de escolha da população.

Em entrevista ao Portal IPNews, o gerente de desenvolvimento de novos negócios de Soluções de Redes da Motorola Brasil, José Geraldo Alves de Almeida, diz que apesar da alteração da freqüência 2,5 GHz não ser satisfatório aos seus clientes, a ação da Anatel pode ser considerada já é um avanço para o Brasil. Segundo o representante da fabricante, até o momento o órgão não tinha realizado nenhuma manifestação quanto a briga pela homologação e, agora, com a consulta pública abre um caminho de avaliação para esse segmento, que está há anos em processo.

Mesmo assim, o executivo alerta que com essa mudança nos planos da freqüência MMDS, a Anatel privilegiará unicamente as operadoras de telefonia celular, fato que ocorre desde a entrada dessas empresas no Brasil. “Na época, foi estabelecido pela agência reguladora um plano de comunicação sobre voz, cujas operadoras de telefonia móvel contavam com uma série de proteções, para conseguir competir igualmente com as de telcos fixa”, diz.

De lá para cá, conforme afirma José Geraldo, a decisão de uma nova regra aparenta que a Anatel pretende manter o modelo de proteção "ímpar", além de não apoiar a competição do mercado de Banda Larga móvel. “Serviço de voz está completo no Brasil, o que a população exige hoje é a Internet e com velocidade de qualidade”, completa.

A analise do executivo, quanto à disposição de uma única freqüência para os serviços de banda larga móvel, proporcionará a redução de investimentos das indústrias no Brasil. “Acho impossível que até 2015 exista uma operadora que irá trabalhar e investir para uma freqüência única”.

Outro aspecto abordado é a respeito da descentralização comercial. Hoje, a população brasileira só tem conseguido adquirir banda larga móvel com o 3G, que é oferecido por apenas cinco empresas – uma forma de oligopólio. Diante dessa situação, as tecnologias e os valores são quase os mesmos, o que ocasiona pouca adversidade e a falta do direito de escolha. “Menos de 1% dos brasileiros possuem o serviço de terceira geração”, completa.

Almeida afirma que a alteração do 2,5 GHz será prejudicial para as empresas que investiram na tecnologia WiMAX, porque não terão mais o direito de oferecer um serviço completo do Triple-Play (telefone, transferência de dados e imagem). “A mudança da regra do jogo vai tirar a energia das empresas para investir no Brasil e a qualidade será bastante inferior”, diz.

A Motorola também está sendo prejudicada com o impasse, já que a fabricante está desde o final de 2008 no aguardo da homologação de seus produtos com tecnologia WiMAX. “Cumprimos todos os ditames legais e até agora não foram homologados”. Segundo o executivo, talvez a Anatel não libera os produtos das empresas, com medo de ser obrigada a autorizar os serviços de WiMAX no Brasil.

Para José Geraldo o brasileiro ainda não tem a liberdade de escolher o serviço de banda larga móvel que deseja. Outro exemplo de como a avaliação é lenta no País, está na espera das indústrias a respeito de mais um leilão do 3,5GHz, sendo que a última aconteceu em 2006 e, hoje, são vendidos apenas freqüências para o uso de celular. “O problema é negar o direito de investir no mercado nacional e tornar o País atrasado no desenvolvimento tecnológico em relação ao mundo”.

Newsletter

Inscreva-se para receber nossa newsletter semanal
com as principais notícias em primeira mão.


    Deixe um comentário

    O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *