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Apesar de progresso nos anos 2000, crise travou inovação no Brasil, afirma diretora do MIT

Executiva apresentou estudo com diretrizes para que País aproveite a recuperação da economia e retome agenda de inovação.

Para Elizabeth Reynolds, diretora executiva do Massachusetts Institute of Technology (MIT) Industrial Performance Center (IPC), o Brasil tem conseguido “progresso significativo” na agenda de inovação, mas os ganhos associados a essas políticas são limitados. A executiva participou do Fórum Estadão Brasil Competitivo, realizado ontem (6/3) em São Paulo, e ressaltou que a crise econômica afetou o desenvolvimento da inovação no País.

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Segundo ela, um dos fatores que limitam a evolução do Brasil no segmento é a falta de integração à economia mundial, onde é necessário estreitar os laços. Também é preciso que os programas de incentivo à inovação sejam mais especializados, pois os atuais são considerados muito amplos por Elizabeth.

A executiva ressaltou a necessidade de deixar a crise para trás e aproveitar o momento de retomada na atividade econômica para voltar a avançar na agenda. “A recente crise econômica e política ameaça ‘descarrilar’ a agenda de inovação brasileira e o Brasil não pode se permitir ficar atrás dos progressos tecnológicos mundiais”, afirmou, segundo o Estadão.

Seis itens para voltar a inovar

A pedido do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai), o MIT realizou um estudo no qual recomenda uma agenda de seis prioridades para o Brasil acelerar a inovação. Segundo o relatório, o País tem as condições necessárias para ter maior destaque no segmento na economia mundial, mas é preciso flexibilizar regras de conteúdo local e maior abertura comercial para estimular a competição doméstica. Confira:

  • A política industrial precisa focar no apoio à inovação. A avaliação é que as políticas industriais do Brasil são muito abrangentes e não obtiveram êxito em acelerar a inovação. É preciso que os programas sejam mais flexíveis e ágeis para lidar com tecnologias e mercados em mudança.
  • As políticas devem focar em áreas onde o Brasil se destaca tecnologicamente, como agroprocessamento, no setor aeroespacial e na energia renovável.
  • As universidades precisam ter maior relevância no desenvolvimento tecnológico e na capacidade de inovação.
  • A integração ao mercado mundial, buscando atrair fornecedores globais ou participando de “redes de conhecimento” no exterior. Dessa forma, a recomendação é que o mercado brasileiro se abra para se tornar mais competitivo.
  • Essa abertura deve ser feita de forma gradual e seletiva, sendo atingida por meio da redução de barreiras comerciais e de impostos e burocracias.
  • Incentivar os investimentos em tecnologias destinadas ao mercado exterior, fazendo com que o Brasil se torne mais integrado às cadeias globais de valor.

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