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Artigo: OT, o desafio de proteger e modernizar redes industriais

*Por Hernando Castiglioni

Nos últimos 20 anos, o mundo das redes e comunicações cresceu tremendamente e esse aumento não deve parar tão cedo. O uso massivo da Internet e a digitalização trouxeram enormes mudanças nas formas de consumo e muitas empresas migraram para um modelo de negócios diferente, em muitos casos, 100% digital.

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A digitalização não é simplesmente uma moda, é um mecanismo eficaz pelo qual muitas empresas aumentam seus lucros e diminuem custos ao utilizar adequadamente suas comunicações e infraestrutura de Internet. Já faz tempo que a digitalização chegou com força a setores mais tradicionais, como finanças, consumo, saúde, educação e governo, mas no caso da indústria, os desafios foram maiores.

Dois universos, duas necessidades

Como o nome indica, TI refere-se especificamente à Tecnologia da Informação e OT refere-se a Tecnologias Operacionais. Enquanto a TI se aplica ao mundo das comunicações e negócios, a OT se aplica a processos bastante físicos, como monitoramento e controle de dispositivos, basicamente nas indústrias.

A falta temporária de conectividade e a queda de um sistema ou de um serviço crítico podem afetar a operação e causar perdas no mundo dos negócios. No mundo industrial, no entanto, cada microssegundo é vital, podendo ter implicações catastróficas, como danos à saúde das pessoas, paradas em processos produtivos, cortes de energia, perda de matérias-primas etc.

Dessa forma, a indústria requer um tratamento específico, de acordo com a sensibilidade de seus processos de produção, uma vez que enfrentam os seguintes desafios:

  • Continuidade: Ao pensar em soluções que resolvam qualquer problema de segurança, existe uma preocupação imediata em conseguir uma operação simples e a busca por garantias. A obsolescência a curto prazo e a atualização constante herdada do mundo da TI pressupõem um alto risco.

  • Segurança: o desaparecimento da lacuna entre as redes de TI e OT expõe os ativos desatualizados de redes operacionais críticas, que precisam enfrentar novas ameaças de ambientes menos controlados e seguros, como Internet, redes tradicionais ou redes de terceiros. Isso se soma ao fato de que vários produtos e soluções relacionados ao mundo do AT ainda operam em sistemas operacionais básicos, protocolos de comunicação vulneráveis ​​e geralmente não são viáveis ​​para atualizações.

  • Treinamento: com uma origem mais padronizada e estável, o mundo industrial não aceita a velocidade e a inovação propostas pelas soluções orientadas a TI. Os especialistas em OT concentram seus conhecimentos nos ambientes de monitoramento SCADA, IHM ou CLPs e, com critérios lógicos, resistem a mudanças e buscam aliados na hora de se familiarizarem com as novas tecnologias.

  • Operação: a tentativa de implantar qualquer iniciativa envolve complicações estruturais e responsabilidades cruzadas entre os referentes do mundo do OT e da TI. Além do treinamento lógico exigido pelas equipes operacionais, figuras de liderança como o CISO, com conhecimento em segurança de TI, ocupam um papel preponderante e estão expostas à resistência oferecida por seus pares no mundo do AT.

Apesar desses desafios, o setor começa a adotar a mudança e a buscar soluções de segurança com base em seis premissas fundamentais:

  1. Assessoria: Encontre aliados tecnológicos com conhecimento em campo, fabricantes e consultores com experiência que possam mostrar casos de sucesso e apresentar informações claras que permitam entender a situação atual da rede e as melhores práticas a serem implantadas (análise de GAP, análise de risco etc.).

  2. Regulamentos: Cada setor – petroquímico, elétrico, agrícola ou de manufatura – é governado por vários padrões e normas como ISO/IEC 62443, IEEE 1686, IEC 62351 ou IEC 61850, chaves para a implementação correta e alinhada da tecnologia.

  3. Monitoramento não intrusivo: Atualmente, existe um crescente número de soluções tecnológicas especialmente projetadas para o mundo do AT, capazes de detectar e traçar rapidamente um mapa de rede e descobrir desvios e ameaças de maneira não invasiva.

  4. Segmentação e segurança: recorra ao uso de tecnologia específica, como firewalls robustos, pontos de acesso sem fio, sistemas de autenticação fortes e outras soluções que permitam proteger e segmentar a rede. Além do firewall, são usadas principalmente funções como IPS industrial, SD-WAN e VPN.

  5. Padronização: Existem outras medidas valiosas que podem ser fornecidas com os mesmos componentes de rede e garantem a tão esperada padronização das comunicações. Visibilidade, autenticação central, sincronização de relógios, correção de anomalias de protocolo e análise de comportamento são apenas alguns dos benefícios que podem ser obtidos.

  6. Processo de ajuste, aprimoramento e implementação: A tecnologia deve ser submetida a rigorosos testes de laboratório que garantam o bom funcionamento da solução. O sucesso desse processo é essencial para a correta implementação, padronização e garantia da rede.

Neste desafio da digitalização, as palavras economia, otimização, aceleração e melhoria ressoam constantemente nas cabeças dos líderes de OT e TI. Os especialistas em redes industriais se concentram na modernização de infraestruturas antigas e, dessa maneira, abordam perigosamente o mundo da TI, expondo-se a inúmeros riscos. Com uma estratégia apropriada que inclui segurança desde a concepção, essa alteração nos permite tirar vantagem da visibilidade e do valor agregado que as novas tecnologias trazem para normalizar, monitorar e otimizar os processos de produção em tempo real, tornando-os mais simples, eficientes e lucrativos.

*Hernando Castiglioni é gerente de Engenharia da Fortinet.

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