Futurecom 2010

Até 2020, 2 bilhões de dispositivos móveis estarão conectados à internet no Brasil

Operadoras de telefonia discutem em painel empresarial como lidar com os obstáculos de tarifas e modelos de negócios para acelerar penetração de banda larga no país.

Conectividade móvel nas cidades-sedes da copa é ruim

No primeiro painel empresarial do Futurecom 2010, operadoras de telefonia fixa e móvel debateram a respeito de novos modelos de negócios no mercado, principalmente da banda larga, e quais as dificuldades que elas enfrentam quanto Às altas tarifas versus a aceleração da penetração de rede móvel no Brasil.
 
Participando do debate, que foi mediado pelo jornalista Ricardo Boechat, contou com a presença dos presidentes Antonio Carlos Valente, do Grupo Telefônica para o Brasil; Aluizio Byrro, da Nokia Siemens Networks; Amos Genish, da GVT; Eduardo Ricotta, da Ericsson; Jônio Foigel, da Alcatel-Lucent; Luca Luciani, da Tim e o deputado federal pelo Ceará, Paulo Henrique Lustosa.
 
Iniciando debate, Valente afirma que a telefonia fixa está estável, pois as operadoras começaram a investir mais na banda larga. O executivo incita à renovação dos modelos de negócios, pois os usuários de telefonia fixa, atualmente, optam mais pelo serviço móvel e, sendo assim, o foco do mercado é mudado. “Existem muitas aplicações que não existiam há 3 anos, que são interessantes e úteis para o cidadão”, afirma.
 
Ainda em modelos de negócios, Byrro atesta que é necessário, primeiro, se pensar em otimização de redes, surgimento das novas aplicações e a mudança da divisão de banda para os usuários. Segundo ele, atualmente, 5% dos usuários ocupam 90% da internet móvel, ou seja, é necessária uma discriminação de tarifas. “É justo pagar mais quem usa mais e pagar menos quem usa menos”.
 
Já contestando, o deputado Paulo Lustosa afirma que, atualmente, se vende velocidade e não informação. “É justo pagar mais quem usa mais. No entanto, se eu vir de outro ângulo, leio que quem paga, pode utilizar e quem não paga, não. Isto discrimina o poder de renda do usuário”, ressalta e afirma que este é um desafio para as operadoras, que buscam oferecer taxas mais justas.
 
Mesmo com a discussão, todos os integrantes do painel concordam que a banda larga tem registrado aceleração da demanda e que, com o Plano Nacional, a tendência é que aumente ainda mais. Genish acredita que o crescimento do vídeo pode estimular ainda mais no setor: “Vemos o aumento da internet a cada dia, mas sua penetração ainda é muito baixa no Brasil. Com a entrada total dos vídeos, o País poderá crescer mais do que qualquer outro”.
 
O problema maior, de acordo com as operadoras, ainda é a questão tributária, pois, com altos impostos, é difícil criar novos planos de tarifas mais populares para o usuário final. No entanto, de acordo com Foigel, com a estimulação da concorrência e a vinda da Telebrás, os preços devem baixar. “Já vemos a aceleração no mercado, as pessoas estão comprando mais internet”.
 
Com esta percepção de Foigel, Ricotta acrescenta que esta demanda será claramente vista em 2020, pois a estimativa de dispositivos conectados a internet é de 50 bilhões, sendo destes, 2 bilhões somente no Brasil.
 
PNBL e Telebrás
 
Sobre a iniciativa do governo em criar um plano de internet popular e a volta de uma estatal para a realização do projeto, Valente afirma que jamais se surpreendeu, pois todos os outros países já estavam em criação de planos para seus cidadãos. No entanto, ele acredita na aceleração do programa, para incitar mais a inclusão digital. “É um ponto muito bom, pois a banda larga se tornou prioridade nacional”.
 
Sobre a Telebrás, Valente diz que ele, como representante de operadora, não teme a volta da estatal, pois se esta entrar no mercado com todas as regras, será somente mais um competidor.
 
PL 29
 
Sobre o que o PL 29 poderia influenciar no atual mercado com demanda de banda larga móvel, Lustosa afirma que o Brasil já perdeu muito tempo. “O PL 29 já foi mais importante do é hoje. O mercado cuidou de encontrar soluções para os obstáculos. Ainda é necessário, mas há discussões mais importantes. Eu espero que isso se resolva ainda este ano”, afirma.
 
Newsletter

Inscreva-se para receber nossa newsletter semanal
com as principais notícias em primeira mão.


    Deixe um comentário

    O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *