Segurança

Ataques digitais aceleram e empresas têm menos de 24 horas para reagir, alerta Fortinet

O Brasil foi alvo de 753,8 bilhões de tentativas de ataques cibernéticos ao longo de 2025, segundo levantamento da Fortinet. O dado mais preocupante, porém, não está apenas no volume das ameaças, mas na velocidade com que elas passam a ser exploradas. De acordo com o relatório global de ameaças do FortiGuard Labs, o tempo médio entre a divulgação pública de uma vulnerabilidade e o início das tentativas de exploração caiu de pouco mais de quatro dias para apenas 24 a 48 horas.

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Na prática, isso significa que empresas têm hoje menos de dois dias e, em alguns casos, apenas horas, para identificar falhas, aplicar correções e impedir invasões. Segundo a Fortinet, a aceleração é impulsionada pelo uso crescente de inteligência artificial por grupos criminosos, que automatizam etapas de reconhecimento, instrumentalização e execução de ataques.

O relatório mostra que a IA passou a transformar o cibercrime em uma operação industrializada, com hackers utilizando agentes automatizados, serviços especializados e plataformas clandestinas capazes de acelerar ataques em larga escala. Em incidentes recentes analisados pela companhia, tentativas de exploração começaram poucas horas após a divulgação pública de vulnerabilidades críticas.

Esse cenário ajudou a impulsionar um crescimento de 535% nas atividades de distribuição de malware no Brasil em relação a 2024. Ao todo, foram identificadas 187,5 milhões de ações relacionadas à disseminação de códigos maliciosos no país durante 2025. O levantamento também detectou 89 milhões de atividades ligadas a botnets, redes de dispositivos infectados usadas para ataques coordenados.

A fase inicial dos ataques também ganhou escala. Foram registrados 5 bilhões de varreduras ativas em busca de brechas, além de 3,6 bilhões de tentativas de exploração de vulnerabilidades. Já os ataques por força bruta chegaram a 1,4 bilhão de ocorrências, crescimento de 70% em relação ao ano anterior.

Segundo Frederico Tostes, o cibercrime opera cada vez mais como uma indústria organizada, baseada em automação e inteligência artificial. “O relatório reforça que empresas precisam encarar a cibersegurança como um fator direto de risco financeiro, reputação e continuidade do negócio”, afirmou o executivo.

Na etapa final dos ataques, o Brasil registrou 743 bilhões de tentativas de negação de serviço distribuído (DDoS), aumento de 119% sobre 2024. Também foram identificados 35 mil incidentes de ransomware, modalidade em que criminosos sequestram dados corporativos e exigem pagamento para devolução do acesso.

Outubro foi apontado como o mês mais crítico do ano passado, concentrando sozinho 198 bilhões de tentativas de ataques. Setores de governo, educação e energia estiveram entre os principais alvos, em um período marcado também por instabilidades em serviços de nuvem utilizados pela população.

Para Alexandre Bonatti, a velocidade passou a ser o principal diferencial entre proteção e comprometimento. Segundo ele, a eficiência da defesa dependerá da capacidade das empresas de transformar inteligência em ação em tempo real.

O estudo também mostra que o uso de IA pelos criminosos aumentou a eficiência das ofensivas. Embora as tentativas globais de força bruta tenham caído 22%, os ataques ficaram mais precisos e inteligentes, elevando as chances de sucesso por credencial testada. Ao mesmo tempo, as tentativas globais de exploração cresceram 25,49%.

Outro dado relevante envolve o ransomware. O número global de vítimas confirmadas saltou 389% em um ano, alcançando 7.831 organizações comprometidas. Ferramentas clandestinas baseadas em IA, como WormGPT, FraudGPT e BruteForceAI, aparecem entre os fatores que impulsionaram a escalada.

A Fortinet afirma que o avanço da digitalização de serviços críticos, como bancos e plataformas de e-commerce, amplia a superfície de exposição das empresas brasileiras. Nesse contexto, a companhia defende o uso de plataformas de segurança também baseadas em inteligência artificial para reduzir o tempo de resposta diante de ameaças cada vez mais automatizadas.

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