
Na última quarta-feira (18/3), o Ministério da Educação (MEC) permitiu que as instituições de ensino superior – privadas e públicas – substituíssem aulas presencias por ensino a distância durante os próximos 30 dias, com possibilidade de prorrogação. A medida já vem sendo utilizada por algumas universidades e deve evitar que o calendário letivo seja atrasado, segundo Josiane Tonelotto, conselheira da Associação Brasileira de Educação a Distância (ABED).
MEC estuda substituição de aulas presenciais por a distância
De acordo com ela, as universidades estão adotando estratégias como disponibilizar conteúdo online e lives com professores no horário em que eram dadas as aulas presenciais, no intuito de manter os alunos engajados. Josiane ainda explica que fóruns para tirar dúvidas e o uso de laboratórios digitais também estão sendo utilizadas por instituições de ensino.
“A situação permite que ferramentas de ensino a distância possam ser utilizadas para não descaracterizar a rotina. Professores também tem sido capacitados para lidar com a situação, além de ser possível fazer enquetes para obter o feedback dos alunos”, afirma.
Ela conta que as avaliações ainda podem ser realizadas, já que existem ferramentas “anti-cola” (que verificam o plágio em questões dissertativas) e de embaralhamento de questões em provas. “Os professores também podem adotar outros tipos de avaliações, baseadas na apresentação de trabalhos”, sugere.
A conselheira da ABED, que também é especialista em psicologia, aponta que estas medidas podem minimizar danos à saúde mental de alunos, que poderá ser impactada devido à necessidade de confinamento. “Manter a rotina de aulas, mesmo online, vai ajudar a controlar o socioemocional dos estudantes e evitar o pânico”, explica.
Na educação básica, medidas parecidas estão sendo implementadas para que as crianças não sejam impactadas de forma negativa. “Algumas escolas privadas tem feito espécies de reuniões virtuais (com ferramentas de colaboração) para que colegas continuem se vendo e não percam contato. A ideia é minimizar a ansiedade”, afirma Josiane.
Já no ensino público, governos já anunciam medidas para virtualizar aulas, mas ela acredita que não será possível fazer isso de uma hora para outra. “Isso exige que escolas tenham uma preparação, inclusive de professores, alguns alunos não teriam acesso. É possível, já que, no futuro, não existirá apenas uma forma de dar aula, mas sim uma mistura de aulas online com presenciais.”
Ensino a distância (EAD)
Para quem já estuda a distância, a quarentena não deve mudar muito a rotina. Como Josiane explicou, as aulas presenciais e avaliações devem ser aplicadas de forma online. No entanto, a expectativa da ABED é que a quarentena eleve o número de alunos EAD este ano, passando pela primeira vez o número de estudantes presenciais. Os últimos dados da entidade, relativos a 2018, apontam 9,37 milhões de alunos em modalidades EAD (totalmente ou semi), crescimento de 17% em relação a 2017.
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