Negócios

Automação e IA na indústria: o que muda na formação dos novos engenheiros

Factory Digitalization: Two Industrial Engineers Use Tablet Computer, AI Big Data Analysis. Visualization of High-Tech Facility into 3D Rendered Neural Network. Industry 4.0 Machinery Manufacturing

O uso de Inteligências Artificiais tem transformado todas as esferas de atuação profissional que conhecemos, existem IAs para mapear corpos celestes, responder dúvidas em um site de compras, analisar imagens de laboratório, criar questionários para professores, IAs especializadas em roteiros turísticos, assistentes virtuais, módulos para carros autônomos e muito mais. Segundo um levantamento produzido pela Zscaler, o uso de IAs nas empresas aumentou quase 600% entre abril de 2023 e janeiro de 2024.

Dentro do mundo industrial, essa chegada também foi sentida, na chamada Indústria 4.0 (esse nome foi dado a respeito de estarmos vivendo o período da quarta revolução industrial, uma era pontuada pelo uso de IAs, robótica avançada e edição genética). Com o avanço acelerado da automação e uso de IAs nos processos industriais, as habilidades tradicionais dos engenheiros que antes eram consideradas insubstituíveis já não são mais suficientes para atender às novas demandas do mercado de trabalho.

Indústria 4.0

A principal característica da indústria 4.0 é a sua integração de tecnologias digitais nos processos de produção. Conceitos como Internet das Coisas (IoT) e robótica avançada fizeram com que as fábricas, que antes eram cheias de colaboradores especializados em operação de maquinários, se tornassem verdadeiros centros inteligentes de produção, com maior capacidade produtiva e menor custo operacional.

Essa integração de tecnologias levou a produtos mais tecnológicos que, por sua vez, impactam diretamente nas exigências profissionais da área. Um bom exemplo desse impacto reside na área dos engenheiros mecânicos, pois antes o seu conhecimento era restrito a válvulas, motores, pistões, etc., hoje esse leque de conhecimento teve que ser expandido para itens como sensores inteligentes, programas de análise, etc.

Outras áreas da engenharia também foram impactadas com essa revolução e é cada vez mais sentida a necessidade de estudos de simulação e programação para que os engenheiros realmente “falem a língua das máquinas”.

Mudanças nos quadros curriculares

Entre as principais competências e habilidades que vêm sendo exigidas para as novas gerações de engenheiros na era da automação, destacam-se principalmente:

Machine Learning (Aprendizado de Máquina)

Essa faceta das IAs permite que determinados sistemas sejam treinados a reconhecer padrões, antecipar falhas e otimizar processos industriais. Além disso, com o machine learning é possível analisar grandes volumes de dados, o que possibilita aos engenheiros programar análises precisas para determinados campos da produção.

Visão computacional

Esse tipo de aplicação já é utilizada a mais tempo dentro da indústria, ela permite que o programa interprete imagens ou vídeos capturados da linha de montagem para criar um controle de qualidade das peças produzidas, bem como controle de funcionamento dos maquinários para fazer a manutenção preventiva sem interromper a linha de produção. Esse tipo de automação é extremamente importante para a automatização de um processo eficiente de produção.

Simulação

Ferramentas de simulação são usadas para prever o comportamento de sistemas físicos antes mesmo de serem implementados. Criar simulações digitais economiza tempo e reduz custos, a maior parte dos problemas de um maquinário ou sistema de produção pode ser solucionado utilizando modelos digitais. Dominar softwares como ANSYS, SolidWorks ou Siemens NX já é uma exigência em setores como automobilístico, aeroespacial e de produção de energia.

Muitos cursos já vêm se adaptando e incluindo competências digitais, tanto presenciais em seus laboratórios, como, por exemplo, em cursos de engenharia mecânica EAD para acompanhar as novas exigências do mercado.

Além disso, empresas que buscam inovações tornaram mais comuns os programas de extensão, laboratórios conjuntos e projetos de iniciação científica voltados à Indústria 4.0, a fim de especializar ainda mais os seus próprios colaboradores e engenheiros recém-formados.

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