Negócios

Avanço da IA esbarra em falta de governança nas empresas

foto: iStock

A Inteligência Artificial generativa continua em expansão no mercado nacional, mas sua implementação nas empresas ainda é marcada por uma abordagem descentralizada, trazendo desafios de governança. É o que revela o relatório State of Data 2024, realizado em parceria entre a Bain & Company e a Data Hackers, que ouviu mais de 5 mil profissionais de dados no Brasil entre outubro e dezembro de 2024. O estudo indica que, embora 82% das empresas já utilizem a tecnologia, um aumento em relação aos 70% de 2023, a maior parte da adoção ocorre de maneira independente pelos colaboradores, sem uma governança centralizada.

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Segundo o relatório, 63,6% das empresas têm seus profissionais utilizando IA generativa de maneira descentralizada, um número menor que os 72,4% de 2023, mas que ainda reflete a falta de maturidade corporativa na área. “Muitas empresas estão começando a perceber a importância de centralizar a governança, mas ainda há um longo caminho a percorrer para garantir que essas ferramentas sejam usadas de forma estratégica e segura”, comenta Daniel Avancini, CDO da Indicium.

A priorização do recurso varia conforme o setor. Enquanto 63,5% das empresas de tecnologia/digital consideram a ferramenta uma prioridade, esse percentual é de 55,8% em serviços financeiros e 54,9% no varejo. Entre as finalidades de uso mais comuns, estão a melhoria de produtos externos para clientes finais (34,9%) e a otimização de processos internos (33,7%).

No entanto, os desafios persistem. Para 31,7% das empresas que ainda não adotaram a inovação, a falta de compreensão dos casos de uso é a principal dificuldade. Outros fatores incluem a falta de expertise ou recursos (30,5%), preocupações com segurança e privacidade de informações (30,3%) e a percepção de que os dados da empresa não estão prontos para o uso da tecnologia (28%). “Esses motivos, aliados às estatísticas de abordagem de utilização de IA generativa e tipos de caso de uso sendo testados, apontam que as empresas ainda estão pouco maduras em relação ao tema”, avalia o relatório.

No setor de dados, a adoção de ferramentas de produtividade baseadas em IA generativa já é quase universal, com 93% dos respondentes confirmando o uso – um salto em relação aos 80% de 2023. Por outro lado, a maioria (57%) ainda recorre a soluções gratuitas, enquanto apenas 20% têm acesso a ferramentas pagas e fornecidas pela própria empresa. “O uso de soluções gratuitas pode representar riscos consideráveis para a governança e a segurança das informações corporativas. Cada vez mais, as empresas precisam oferecer alternativas robustas e seguras para os seus profissionais”, alerta Daniel Avancini.

O estudo reforça a necessidade de as empresas desenvolverem uma abordagem estratégica das prioridades de uso, investindo em capacitação e segurança para garantir o sucesso na implementação dessa tecnologia. À medida em que ela se consolida como uma ferramenta de estratégia corporativa, o desafio agora é transformar seu uso independente e fragmentado em uma governança unificada. Isso poderá trazer uma vantagem competitiva, garantindo que as empresas estejam prontas para as próximas etapas dessa revolução tecnológica.

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