A edição 2026 do WEF Global Cybersecurity Outlook 2026, publicada pelo Fórum Econômico Mundial (WEF), indica que a cibersegurança segue no centro das preocupações estratégicas de governos e organizações em todo o mundo, mas revela um cenário de avanços desiguais entre regiões. Na América Latina, o relatório destaca progressos importantes em governança e conscientização, ao mesmo tempo em que evidencia fragilidades estruturais relacionadas à maturidade operacional, à escassez de profissionais qualificados e à capacidade de resposta a incidentes cada vez mais sofisticados.
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De acordo com o estudo, organizações latino-americanas demonstram níveis mais baixos de confiança em sua própria resiliência cibernética quando comparadas a pares da América do Norte e da Europa. Uma parcela significativa dos executivos da região afirma não estar plenamente preparada para enfrentar ataques de grande impacto, especialmente aqueles envolvendo cadeias de suprimentos digitais, uso malicioso de inteligência artificial e exploração de ambientes híbridos e multinuvem. O relatório observa que essa percepção está diretamente associada a limitações de investimento contínuo, processos ainda fragmentados e dependência excessiva de controles reativos.
O levantamento também aponta que a América Latina enfrenta um desafio persistente na formação e retenção de talentos em cibersegurança. A escassez de profissionais qualificados aparece como um dos principais fatores de risco para a região, dificultando a implementação de estratégias mais avançadas de prevenção, detecção e resposta. Segundo o WEF, essa lacuna tende a se agravar diante do aumento da complexidade dos ataques e da incorporação acelerada de tecnologias emergentes, como a inteligência artificial generativa, tanto por organizações legítimas quanto por agentes maliciosos.
Outro ponto de atenção destacado no relatório é o impacto das tensões geopolíticas e da instabilidade econômica sobre a postura de segurança cibernética na América Latina. O estudo indica que organizações da região são particularmente vulneráveis a ataques oportunistas, como ransomware e campanhas de phishing em larga escala, que exploram fragilidades institucionais e limitações de coordenação entre setores público e privado. O WEF ressalta que, apesar dos avanços em marcos regulatórios e estratégias nacionais de cibersegurança em diversos países latino-americanos, a execução prática dessas políticas ainda ocorre de forma desigual.
Apesar dos desafios, o Global Cybersecurity Outlook 2026 identifica sinais positivos na região. O relatório aponta um aumento na atenção da alta liderança ao tema e uma maior integração da cibersegurança às agendas corporativas e governamentais. Iniciativas de cooperação regional, compartilhamento de informações e fortalecimento de capacidades institucionais são citadas como movimentos fundamentais para elevar o nível de maturidade cibernética latino-americana nos próximos anos.
Para o Fórum Econômico Mundial, o cenário da América Latina reforça a necessidade de uma abordagem mais sistêmica e de longo prazo. O estudo conclui que o fortalecimento da resiliência cibernética na região dependerá da combinação entre investimentos sustentados, desenvolvimento de talentos, adoção de tecnologias de segurança mais avançadas e maior colaboração entre governos, empresas e organismos internacionais, em um contexto de ameaças digitais cada vez mais globais e interconectadas.
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