Painel do Futurecom 2008 discutiu modelos de negócios para o emergente público de baixa renda no Brasil. Tarifação foi ponto forte do debate.
A mediadora Heloísa Magalhães, do jornal Valor Econômico, abriu a discussão expondo um exemplo que já não é mais tão incomum de se ver: favelas brasileiras, como a Rocinha, que possuem mais de 10 lan houses, por R$ 1 a hora. Essa é a prova cabal de que a população de baixa renda brasileira já está interessada e devidamente preparada – em boa parte – para a inclusão digital, seja ela 3G ou não. O consultor Mário Dias Ripper apontou uma tendência, também, da telefonia móvel nessa fatia econômica do País. “A telefonia fixa, com a assinatura obrigatória a um valor já muito alto para muitas famílias, vem fazendo com que 50% das casas brasileiras, aproximadamente, já não tenham o serviço. Por outro lado, essas famílias optam pela telefonia móvel pré-paga, que corresponde a 31% dos telefones”, analisa Ripper.
José Leite Pereira Filho, conselheiro da Anatel por uma década, diz que “o Brasil tem disponibilidade de telefonia fixa no território todo. A móvel ainda não, mas com a licitação aprovada do 3G, esperamos que em dois anos, todos os municípios do País possam usufruir dessa rede”, comentou. Mas nem tudo são flores. Muitas pessoas de baixa renda sequer podem pagar pelo serviço de telefonia fixa, o que dizer do 3G, ainda novo e relativamente caro. “Creio que em oito anos é que tenhamos uma maior cobertura e oferta, assim como planos mais baratos para a população mais pobre”, ressaltou Leite.
Um dos fatores que encarecem esses serviços, é o excesso de outorgas existentes atualmente (27). Para Leite, é imprecindível que elas sejam simplificadas. “Isso dificulta demais no barateamento dos serviços. Existem estudos que comprovam que é possível reduzir essas outorgas para apenas quatro, o que não vai acabar com o problema da baixa renda, mas já ajuda a baixar os custos”, conta. José Roberto M. da Silva, da aeiou, diz que os minuto no Brasil ainda são caros demais, e que os valores não caíram desde o ano 2000. “O chinês paga cerca de US$ 0,03 por minuto; os indianos pagam US$ 0,02 e falam uma média de 400 minutos. Na Rússia, onde a renda e a população é mais parecida com a nossa, esse valor vai para US$ 0,06. No Brasil, são US$ 0,50”, pontua José Roberto. O executivo aponta que o Brasil, por isso, está na frente apenas de países como as Filipinas em minutos falados por mês, com 80 minutos, quando a média mundial é de 200. “Por isso estabelecemos o preço único”, explicou.
Oswaldo Lopes Filho, da Monytel, é mais cauteloso. “É preciso de preço para as classes menos favorecidas, mas o serviço que é oferecido deve ser do interesse dela, também. Banda larga para baixa renda não existe em lugar nenhum do mundo, que eu saiba”, avaliou.

