Segurança

Bancos vão investir mais de R$ 5 bi em cibersegurança

Ivo Mósca, diretor de Inovação, Produtos e Segurança da Febraban

A explosão das fraudes digitais impulsionadas por inteligência artificial está levando os bancos brasileiros a ampliar significativamente seus investimentos em segurança da informação. As 25 instituições participantes da Pesquisa Febraban de Tecnologia Bancária deverão destinar mais de R$ 5 bilhões exclusivamente para iniciativas de cibersegurança, dentro de um orçamento total de R$ 50,4 bilhões em tecnologia previsto para 2026. O investimento reflete a necessidade de proteger um sistema financeiro cada vez mais digitalizado, no qual 83% das transações já são realizadas por canais digitais. 

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Segundo Ivo Mósca, diretor de Inovação, Produtos e Segurança da Febraban, o cenário atual exige investimentos permanentes, já que a evolução tecnológica também acelerou a capacidade de atuação dos criminosos.

“Hoje podemos afirmar que as instituições financeiras utilizam o que existe de mais avançado em tecnologia no mundo para garantir a segurança. A inteligência artificial também passou a ser utilizada pelos criminosos para acelerar fraudes e golpes. Por isso, precisamos manter uma velocidade constante de evolução para permanecer sempre um passo à frente.”

De acordo com o executivo, diferentemente de projetos tradicionais de TI, os investimentos em segurança não têm fim.

“Não existe um investimento único capaz de resolver o problema para sempre. É um trabalho contínuo, porque as ameaças evoluem diariamente.”

Cibersegurança é unanimidade entre os bancos

 “O crescimento do orçamento tecnológico dos bancos, aliado à previsão de R$ 50,4 bilhões em investimentos para 2026, mostra que o setor financeiro segue comprometido com inovação, segurança e eficiência. A cibersegurança permanece como agenda central para as instituições, ao lado de temas estratégicos como Cloud e IA Generativa. Esse avanço também depende da formação e da atração de profissionais cada vez mais especializados, capazes de sustentar a evolução tecnológica do setor”, afirma Ivo Mósca, diretor de Inovação, Produtos e Segurança da Febraban.

A pesquisa revela que 100% das instituições financeiras classificam a cibersegurança como prioridade alta ou média, tornando-a o principal destino dos investimentos tecnológicos à frente de temas como computação em nuvem e inteligência artificial generativa, ambos com 84% de prioridade.

Além da proteção da infraestrutura tecnológica, os bancos ampliam o uso de inteligência artificial para reforçar suas operações de defesa digital.

Entre as instituições que já utilizam IA na segurança da informação:

  • 77% empregam IA para detecção de ameaças e comportamentos anômalos;
  • 46% utilizam análise preditiva de riscos cibernéticos;
  • 32% automatizam respostas a incidentes;
  • 31% recorrem à tecnologia para testes de intrusão.

Apesar do avanço, a adoção da IA na segurança ainda enfrenta obstáculos. As principais preocupações apontadas pelos bancos são privacidade e governança de dados (77%), falta de especialistas em IA aplicada à segurança (68%) e integração com sistemas legados (40%).

Combate às fraudes passa a ser colaborativo

Durante a apresentação da pesquisa, Mósca destacou que o foco dos ataques mudou. Em vez de tentar invadir diretamente os bancos, criminosos passaram a explorar vulnerabilidades em terceiros, provedores de serviços, redes sociais e operadoras de telefonia.

Segundo ele, isso levou o setor financeiro a adotar um modelo de cooperação entre instituições.

“No combate às fraudes e aos ataques cibernéticos não existe competição entre bancos. Existe cooperação. Trabalhamos em conjunto com Banco Central, Polícia Federal, empresas de tecnologia, órgãos reguladores e outras entidades para fechar as portas utilizadas pelos criminosos.” 

Capacitação também faz parte da estratégia

Outro eixo importante dos investimentos é a formação de profissionais especializados.

Em 2025, o setor bancário treinou 226,1 mil profissionais em tecnologia, enquanto 42% das instituições pretendem ampliar suas equipes de TI, com crescimento médio de 22%.

Segundo a Febraban, a própria entidade mantém um laboratório dedicado à formação em cibersegurança. O programa já capacitou mais de 25 mil profissionais, com atualização constante dos conteúdos para acompanhar a rápida evolução das ameaças digitais.

Segurança acompanha expansão do banco digital

O aumento dos investimentos acompanha a consolidação dos canais digitais como principal meio de relacionamento dos brasileiros com os bancos.

A Pesquisa Febraban mostra que 83% das 240,8 bilhões de transações realizadas em 2025 ocorreram pelos canais digitais, sendo 78% pelo mobile banking. O Pix continua impulsionando esse crescimento, com avanço de 19% nas operações realizadas via celular e de 53% pelo internet banking.

Para a Febraban, esse comportamento demonstra que os investimentos em segurança sustentam a confiança dos clientes no ambiente digital. Quanto maior a digitalização dos serviços financeiros, maior também a necessidade de ampliar continuamente a proteção contra fraudes, golpes e ataques cibernéticos cada vez mais sofisticados.

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