87% dos usuários do Bolsa Família afirmam gastar dinheiro do programa principalmente com comida, revela pesquisa do Ibase.
Pesquisa inédita do Ibase (Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas) mostra que 87% dos beneficiários do Programa Bolsa Família afirmam gastar o dinheiro recebido principalmente com alimentação, prioridade de compra seguida por material escolar (45,6%) e vestuário (37,1%). A maioria dos usuários (73,7%) relata que aumentou a quantidade de alimentos que já consumia a partir do recebimento do benefício, bem como a variedade dos alimentos adquiridos (69,8%).
Apesar do aumento declarado de consumo, parcela significativa dos beneficiários (21%, representando 2,3 milhões de famílias, perfazendo um total de cerca de 11,5 milhões de pessoas) encontra-se em situação de insegurança alimentar grave (fome entre adultos e/ou crianças da família); outros 34% (ou 3,8 milhões de famílias, perfazendo um total de cerca de 18,9 milhões de pessoas) estão em situação de insegurança alimentar moderada (restrição na quantidade de alimentos na família, de acordo com a EBIA – Escala Brasileira de Insegurança Alimentar).
O estudo sugere que o Bolsa Família (que atende no total 11,1 milhões de famílias) é importante para melhorar as condições gerais de vida, embora, por si só, não garanta índices satisfatórios de segurança alimentar, questão associada a um quadro de pobreza mais amplo. "É necessário manter e aperfeiçoar o programa, associando-o a outras políticas públicas capazes de atacar problemas como a falta de saneamento básico e de acesso ao mercado formal de trabalho, fatores que interferem na insegurança alimentar", avalia Francisco Menezes, diretor do Ibase e coordenador do trabalho.

