Segurança

Brasil enfrenta onda de ciberataques com aumento de 5% em agosto

Segundo o Relatório Global de Inteligência de Ameaças, produzido pela Check Point Software referente a agosto de 2025, o Brasil registrou, em média, 2.822 ataques cibernéticos semanais por organização. O número indica um aumento de 5% em relação ao mesmo período do ano anterior e um movimento inverso ao que aconteceu com a média de ataques globais, que teve redução de 1% — foram 1.994 ataques cibernéticos por semana em média em todo o mundo.

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A Check Point alerta que esses resultados evidenciam a exposição do Brasil no cenário global de ameaças e reforçam a necessidade de políticas de proteção e medidas preventivas mais robustas, além de acompanhamento contínuo para frear tanto o ransomware quanto outras práticas de ataque cibernético.

Os alvos

O setor de educação foi novamente o mais visado globalmente, registrando uma média de 4.178 ataques semanais por organização no último mês (aumento de 13% ano a ano). Isso reflete tanto a contínua digitalização do setor, que amplia a superfície de ataque, quanto suas defesas de cibersegurança tradicionalmente subfinanciadas, tornando-o um alvo fácil para os agentes de ameaça.

As empresas de telecomunicações no mundo, vitais para a conectividade de negócios e consumidores, sofreram 2.992 ataques semanais (aumento de 28% ano a ano), destacando seu papel como infraestrutura crítica e também como porta de entrada para alvos subsequentes.

Já as instituições governamentais, foco constante de cibercriminosos e atores estatais, registraram 2.634 ataques semanais (aumento de 3%), enquanto a agricultura enfrentou o crescimento mais dramático, de 101% ano a ano, com 1.667 ataques, sublinhando o interesse dos atacantes em explorar cadeias globais de suprimento e a segurança alimentar.

No Brasil, os setores que mais sofreram com ciberataques em agosto passado foram primeiramente o Governo (4.649 ataques semanais por organização), seguido por Telecomunicações (2.478) e Educação (1.855).

Volume de ataques por região

Regionalmente, a África registrou o maior volume médio de ciberataques, com 3.239 semanais por organização (embora tenha registrado redução de 3% ano a ano), enquanto a Ásia-Pacífico (2.877 semanais, aumento de 2%) e a América Latina (2.865 semanais, aumento de 6%) também apresentaram volumes elevados, impulsionados pela rápida digitalização e por investimentos desiguais em resiliência cibernética.

Os ataques na Europa cresceram 13%, chegando a 1.685 incidentes semanais, e a América do Norte se destacou com um salto de 20% ano a ano, para 1.480 ataques semanais, com o ransomware impulsionando esse aumento — somente os Estados Unidos responderam por 54% de todos os casos de ransomware no mundo.

Escalada do ransomware

O ransomware continuou sendo um vetor de ameaça extremamente disruptivo, com 531 incidentes públicos relatados globalmente em agosto, um aumento de 14% ano a ano. A América do Norte foi a região mais atingida, respondendo por 57% dos casos reportados, seguida pela Europa, com 24%.

Por setor, a manufatura (13,6%), os serviços empresariais (11,9%) e o setor de construção e engenharia (10,4%) sofreram o maior impacto. Outros setores, incluindo saúde, bens de consumo e serviços financeiros, também foram significativamente afetados.

Entre os principais grupos de ransomware atuantes em agosto de 2025 estiveram Qilin (16% dos ataques), Akira (8%) e Inc. Ransom (6%), este último notavelmente focado em saúde e educação — ambos setores críticos para a confiança pública e a vida cotidiana.

As informações levantadas no relatório vêm da plataforma Check Point ThreatCloud AI, que analisa milhões de indicadores de comprometimento (IoCs) diariamente. São mais de 50 mecanismos baseados em inteligência artificial (IA) e alimentada por dados de mais de 150 mil redes e milhões de endpoints.

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