Segurança

Brasil entra no top 3 global de ataques de ransomware

O Brasil passou a figurar entre os três países mais atacados por ransomware no mundo, atrás apenas de Estados Unidos e Índia, segundo o Relatório Acronis Cyberthreats Report – H2 2025. O dado evidencia o aumento da exposição de empresas brasileiras a um dos crimes cibernéticos mais disruptivos da atualidade e reforça o papel estratégico da cibersegurança na agenda corporativa.

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De acordo com o levantamento, o país concentra 6,42% das detecções globais de ransomware, consolidando-se como o principal alvo na América Latina. A posição reflete não apenas o tamanho do mercado brasileiro, mas também a combinação de fatores como maturidade digital heterogênea, uso intensivo de sistemas conectados e lacunas em gestão de vulnerabilidades.

O estudo mostra que, em 2025, o ransomware manteve alta persistência e capacidade de escala. Entre janeiro e dezembro, 7.681 organizações foram publicamente identificadas como vítimas desse tipo de ataque no mundo. A dinâmica do ano foi marcada por picos de grandes campanhas, indicando exploração massiva de vulnerabilidades e credenciais comprometidas, em vez de ataques isolados.

Brasil: alvo recorrente e ambiente favorável à exploração

A análise geográfica aponta que o Brasil não apenas aparece entre os países mais atacados, mas também se destaca em padrões mais sofisticados de ameaça. O relatório indica, por exemplo, que o país concentra a maior parte dos casos observados de técnicas avançadas como process injection – quando códigos maliciosos são inseridos em softwares legítimos para evitar detecção.

Além disso, o Brasil figura entre os países com maior uso abusivo de ferramentas legítimas por cibercriminosos, como PowerShell e prompt de comando, o que evidencia a predominância de ataques “living off the land” – aqueles que utilizam recursos nativos dos sistemas para se movimentar lateralmente dentro das redes corporativas.

Esse cenário reforça a avaliação de que os ataques estão menos dependentes de malware tradicional e mais centrados em exploração de identidade, credenciais e processos internos.

Cadeia de suprimentos e provedores ampliam superfície de ataque

Outro ponto crítico destacado no relatório é o avanço dos ataques à cadeia de suprimentos digital, com impacto direto sobre provedores de serviços gerenciados (MSPs) e empresas de telecomunicações.

Em 2025, foram identificados 143 casos públicos envolvendo provedores – 69 MSPs e 74 empresas de telecom -, evidenciando o valor estratégico desses ambientes para cibercriminosos. O motivo é claro: ao comprometer um único fornecedor, os atacantes conseguem escalar o impacto para múltiplos clientes.

A exploração de ferramentas de gestão remota (RMM), credenciais administrativas e vulnerabilidades não corrigidas aparece como principal vetor de entrada nesses ambientes. A partir daí, os ataques evoluem rapidamente para movimentação lateral e distribuição em larga escala.

Phishing e vulnerabilidades seguem como porta de entrada

O relatório aponta que o phishing continua sendo o principal vetor de ataque, responsável por 52% dos casos envolvendo provedores. Já a exploração de vulnerabilidades não corrigidas representa 27% dos incidentes, reforçando a importância de políticas de atualização e gestão de patches.

No campo de ameaças por e-mail, houve crescimento de 16% nos ataques por organização e de 20% por usuário em 2025, com o phishing representando 83% das ameaças. O dado indica uma mudança de foco dos atacantes: menos exploração técnica e mais engenharia social.

Ransomware mais industrializado e orientado à extorsão

O estudo também aponta uma transformação estrutural no modelo de ransomware. A criptografia de dados deixa de ser o único objetivo, dando lugar a estratégias de “extorsão primeiro”, baseadas em roubo de informações e pressão pública.

Grupos como Qilin, Akira e Cl0p lideram esse movimento, explorando desde credenciais roubadas até vulnerabilidades críticas em softwares corporativos para obter acesso inicial.

Ao mesmo tempo, o ecossistema se torna mais fragmentado, com quase 100 grupos ativos e o surgimento de novas operações ao longo do ano, o que dificulta ações de contenção e resposta coordenada.

IA entra definitivamente no arsenal dos ataques

Outro vetor de preocupação é o uso crescente de inteligência artificial por cibercriminosos. Segundo o relatório, a IA deixou de ser experimental e passou a integrar operações reais, incluindo automação de negociações de resgate, campanhas de extorsão em escala e golpes com manipulação de voz e imagem.

Essa evolução tende a aumentar a eficiência dos ataques e reduzir barreiras de entrada para novos grupos criminosos.

Implicações para o mercado brasileiro

Para o mercado brasileiro, o avanço do ransomware reforça a necessidade de uma abordagem mais integrada de segurança, que vá além da proteção de perímetro e inclua monitoramento comportamental, gestão de identidade e resposta a incidentes.

O relatório conclui que o cenário atual exige estratégias baseadas em múltiplas camadas de defesa, com foco em detecção de comportamento, segmentação de redes e proteção de credenciais. Em um ambiente onde ataques são cada vez mais escaláveis e silenciosos, a capacidade de resposta rápida passa a ser tão importante quanto a prevenção.

A presença do Brasil entre os principais alvos globais indica que a cibersegurança deixou de ser um tema técnico e passou a ser um fator crítico de continuidade de negócios – especialmente para provedores de infraestrutura digital, que ocupam posição central na cadeia de risco.

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