Em pesquisa global inédita sobre qualidade de banda larga, o Brasil obteve apenas 13 pontos.
Os resultados de um novo estudo de qualidade de conexões de banda larga, envolvendo consumidores de 42 países, foram divulgados na última sexta-feira (12/09), para destacar a capacidade atual de cada país em utilizar a próxima geração de serviços e aplicativos Web. O estudo, com foco em países da Organização de Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), além de Brasil, Rússia, Índia e China (BRIC), foi conduzido por uma equipe de pesquisadores da Said Business School da Universidade de Oxford e do Departamento de Economia Aplicada da Universidade de Oviedo, com patrocínio da Cisco. O Brasil obteve uma pontuação baixa de qualidade de banda larga – 13 pontos. A equipe de pesquisa calculou médias estatísticas para cada país a partir de três parâmetros de desempenho utilizados para determinar a qualidade de uma conexão de banda larga – velocidades de download e de upload, e latência (medida de demora na transmissão de dados).
A pontuação dos países foi determinada por meio de uma fórmula que pondera cada parâmetro de acordo com os requisitos de qualidade de um conjunto de aplicativos populares hoje e no futuro. Entre os países que obtiveram boa pontuação, destaque para o Japão, que dos 42 países, foi o único a apresentar a qualidade necessária para os aplicativos Web de próxima geração nos próximos 3 a 5 anos, ficando com 75 pontos. Suíça e Holanda tiveram o melhor desempenho de conexões de banda larga na Europa (55 e 49 pontos, respectivamente), resultado dos investimentos crescentes em expansões de rede a cabo e de fibra, combinados com uma diversidade competitiva e com o apoio de uma sólida visão e política governamental. No entanto, alguns dos principais países, tais como Reino Unido, Espanha e Itália, ficaram em média abaixo do limite recomendável.
No Brasil, a velocidade média de download foi de 1052 kbps; a de upload, 344kbps. Quanto à latência – tempo que uma unidade de informação leva pra transitar de um ponto a outro da rede –, o estudo registrou uma média de 170 ms (micro-segundos) no Brasil. Segundo o índice, o mercado de banda larga nacional revela uma competição com alto nível de fragmentação, isto é, muitos players fornecem o serviço. Além disso, a diversidade tecnológica da banda larga está em um nível médio, com grande concentração no ADSL (72%) e cabo (22%). O fato de ter pouco legado histórico pode ser uma vantagem para o Brasil efetuar grandes saltos e ultrapassar outros países. Os níveis de uso no Brasil são os maiores entre os países emergentes (comparáveis aos níveis do Reino Unido). À medida que a penetração de mercado aumentar, uma concorrência maior aprimorará a qualidade. Por enquanto, somente Chipre, México, Índia e China oferecem um serviço inferior ao brasileiro.
"A análise da qualidade das conexões nos ajuda a ter métricas adicionais sobre a evolução dos serviços de banda larga do Brasil e em específico de sua capacidade para suportar as aplicações de internet de próxima geração", disse Pedro Ripper, presidente da Cisco do Brasil.

