Wireless

Brasil está preparado para receber as redes 4G?

Segundo a Ericsson, o lançamento da nova unidade fabril em São José dos Campos (SP) deixa o Brasil capacitado estruturalmente para fabricar placas 4G, mas ainda não existe demanda.

De acordo com a Anatel, o momento financeiro de dificuldade não deve atrapalhar a ampliação do setor de telecomunicações, pois o número de assinantes continuará crescendo em 2009 e o tráfego de dados também tende a aumentar em virtude da banda larga móvel. Nesse contexto, as comunicações unificadas ganharam mais um aporte no que diz respeito à infraestrutura dentro do Brasil. A fábrica da Ericsson em São José dos Campos está ampliando sua estrutura e, com a contratação de 50 novos engenheiros, passou a realizar a fabricação de módulos eletrônicos para estações rádio bases 2G e 3G. Desde 1998 até o ano passado, a empresa produziu 35 mil unidades do produto para o Brasil e América Latina, mas apesar dos fatores macro-econômicos que enfrentamos atualmente, a pretensão da fabricante é aumentar a produção, chegando a 10 mil unidades em 2009.

Com um investimento previsto para esse ano de US$ 15 milhões em GSM e 3G, a empresa afirma que a estrutura fabril de São José já está adaptada para produzir componentes de placas 4G, mas o serviço ainda não chegou ao Brasil e só passará a entrar nos projetos da fábrica na medida em que as operadoras demandarem a aplicação. Hoje, a realidade do Brasil está pautada em aplicações 3G, com ofertas feitas pela Tim, Claro e Vivo, porém, algumas operadoras ainda atuam com a tecnologia 2G, como é o caso da Oi.

Segundo a presidente da companhia, Fátima Raimondi, “o Brasil ainda precisa evoluir muito em telecomunicações e a saída para cortar custos por meio do encurtamento de distâncias é justamente o investimento nessa área”. A fábrica da Ericsson na Suécia, que funciona nos mesmos moldes da brasileira, já trabalha com componentes para redes HSPA e LTE e segundo Raimondi, mesmo na Europa essa tecnologia ainda está em processo de consolidação. “Estamos preparados para a chegada dessas redes mais avançadas, mas ainda não existem ofertas no mercado devido ao alto custo que a fabricação e manutenção das aplicações teriam no País”.

Apesar das discrepâncias, a executiva acredita que o Brasil se igualará ao nível internacional, pois já possui uma rede de telefonia mais avançada em relação a países asiáticos, como China e Índia. “As fábricas da Ericsson localizadas nesses países produzem em um mês o mesmo volume de componentes eletrônicos para estações rádio base que o Brasil produz em um ano, fato que está intrinsecamente ligado a densidade populacional das regiões, mas em contrapartida, o Brasil está mais avançado em relação a tecnologia aplicada ao serviço de telefonia”.

Terceirização
O cenário de transformações levou a Ericsson a dividir suas atividades por segmentos de negócios, hoje separados em unidades de rede, multimídia e serviços. Esta última é responsável por 40% do faturamento da empresa, uma vez que o gerenciamento de frequência das ERBs também podem ser realizadas pela empresa. É o caso das redes telefônicas da operadora Oi no Norte e Nordeste, que é totalmente administrada pela Ericsson.

Na unidade de São José dos Campos, a empresa desenvolve aplicações que permitem frequências de mais de 20GB via estações rádio base para chamadas telefônicas, chegando a integrar milhares de usuários em uma mesma unidade de frequência.

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