*Por Rodrigo Silva
Símbolo de inovação bancária, o Brasil é uma referência mundial em inclusão financeira e adoção de tecnologias digitais com iniciativas como o PIX, a evolução do Open Finance e a expansão dos bancos digitais. Esses avanços colocam o sistema financeiro brasileiro entre os mais modernos do mundo.
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Grande parte dessa transformação foi impulsionada pelo ambiente regulatório e pela atuação do Banco Central, que ampliou a concorrência, estimulou a inovação e expandiu o acesso aos serviços financeiros. O Open Finance consolidou esse movimento ao permitir o compartilhamento de dados financeiros entre instituições autorizadas pelos clientes, favorecendo a oferta de produtos mais adequados e ampliando a competitividade.
Com a evolução da Inteligência Artificial (IA), as instituições financeiras passaram a utilizá-la para aprimorar ainda mais modelos de risco, fortalecer a prevenção a fraudes, automatizar processos e oferecer experiências mais personalizadas aos clientes.
Por estas características, o Brasil está em posição privilegiada para liderar a transformação financeira na América Latina. Sua população é altamente conectada, adota rapidamente novas tecnologias e conta com um ecossistema financeiro inovador. Mas todo esse avanço depende de uma infraestrutura tecnológica capaz de acompanhar a velocidade das transformações.
Nos últimos anos, as instituições concentraram investimentos na digitalização de canais, no desenvolvimento de aplicativos e na criação de novos meios de pagamento. O próximo passo é modernizar os sistemas core que sustentam essas operações. Isso porque as plataformas legadas, desenvolvidas para outra realidade, ainda consomem recursos elevados de manutenção. O legado dificulta também a integração com novos ecossistemas, retarda o lançamento de produtos e limita o uso de IA e de outras tecnologias que exigem processamento de dados em tempo real. Além disso, torna mais lenta a adaptação às constantes mudanças regulatórias, reduzindo a capacidade de inovação.
Por isso, a modernização do core banking precisa ser tratada como uma prioridade estratégica, com fornecedores comprovados e com experiencia global, para garantir a evolução dos negócios. É preciso adotar plataformas modernas, abertas, baseadas em componentes e nativas em nuvem, que oferecem maior flexibilidade para integrar parceiros, incorporar novas funcionalidades, automatizar processos e ampliar a escalabilidade das operações. Mais do que substituir sistemas antigos, é necessário garantir uma base preparada para sustentar inovação contínua, eficiência operacional, segurança e conformidade regulatória.
Esse desafio envolve grandes bancos, cooperativas financeiras, bancos regionais, fintechs e outras instituições especializadas. As organizações que modernizarem suas infraestruturas estarão mais preparadas para responder às mudanças do mercado, reduzir custos e atender consumidores que esperam serviços simples, rápidos e personalizados.
O Brasil reúne escala, maturidade regulatória, capacidade de inovação e uma população aberta às novas tecnologias. Essa combinação cria um ambiente favorável ao desenvolvimento de novos modelos de negócios. A próxima etapa da transformação bancária dependerá menos da criação de novas soluções e mais da existência de uma infraestrutura tecnológica sólida, capaz de sustentá-las com rapidez, segurança e escalabilidade. *Rodrigo Silva é presidente da Temenos para a América Latina.
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