A opinião é dos empreendedores das empresas do Espaço Inovação CIAB Febraban 2014.
Nos anos 90, o desenvolvimento do Sistema Pagamento Brasileiro foi um importante sinal da competência do País e estendeu-se a outras atividades e ações, como internet banking, mobile banking, ATMs, que fazem com que o Brasil se diferenciasse no cenário internacional. Essa é a opinião de alguns diretores de empresas inovadoras selecionadas para o Espaço Inovação CIAB Febraban 2014, que será realizado até o dia seis de junho no Transamerica Expo Center, em São Paulo.
Conciliação entre segurança e mobilidade e o futuro das aplicações de meios de pagamento via smartphones são outros temas presentes no dia a dia desses empreendedores.
As opiniões formam colhidas em café da manhã realizado pelo ITS – Instituto de Tecnologia do Software e Serviços, no dia 29 de maio, com os empreendedores do Espaço Inovação CIAB FEBRABAN 2014.
Vanguarda
Christian Gutierrez, da Crédito Social, credita a manutenção do pioneirismo a “fusões, aquisições e trocas de moedas, que exigiam e ainda exigem que os bancos estejam preparados para as adequações necessárias sem deixar de suprir a flexibilidade e a adaptabilidade a transformações frequentes em nosso ambiente econômico. Hoje, por exemplo, o sistema financeiro brasileiro, em âmbito mundial, tem menor risco sistêmico em função do SPB”.
Outro empresário que defende essa posição é Eduardo Torres de Albuquerque, diretor da Ability Comunicação e Tecnologia, que destaca o elevado nível de regulamentação das instituições do mercado e do ambiente, também colocando o sistema de compensação como um divisor de águas. “O SPB é um exemplo único no mundo. Passando pelos softwares e produtos de tecnologia da indústria brasileira, somos muito diferenciados e exigentes em termos de tecnologia, a ponto de, quando não se encontram produtos correspondentes ofertados no mercado pela indústria de TI brasileira, verificarem-se muitas iniciativas de desenvolvimentos internos de sistemas”, comenta.
Diferentemente de seus pares, Roni Silveira, da Mobiltec, acredita no desenvolvimento dos agentes do sistema financeiro em todo o mundo, “na medida em que a tecnologia de automação adotada pelos bancos nos países desenvolvidos se tornou um meio para eles poderem sobreviver no competitivo mercado financeiro”, e acabou com essa imagem de referência. Explicando, comenta que “considerando-se mercados de países do mesmo nível de desenvolvimento, cada banco adota a tecnologia que lhe é mais conveniente para competir no seu mercado e não dá para se dizer que ela é melhor ou pior que a de outro banco em outro mercado. Entendo que o Brasil está muito bem posicionado nesse meio, com suas instituições financeiras operando com a melhor tecnologia existente para atender as suas necessidades competitivas de acordo com as demandas de seus clientes. Hoje, para o consumidor não é muito diferente fazer transações bancárias em bancos do Brasil ou da Inglaterra ou dos EUA, etc., uma vez que todos tendem a atender plenamente as necessidades de seus clientes com o menor custo e o máximo de eficiência, apenas com pequenas variações em função de regulamentações locais ou até mesmo de costumes, mas a melhor tecnologia está sempre ao alcance de todos em qualquer lugar”.
Mobilidade e Segurança: uma realidade
Tendo como ponto de início do debate a convicção de que transações de mobile banking são realidade e tendem a crescer significativamente, os empresários se dividem ao indicar os responsáveis pela maior vulnerabilidade. Para uns é o usuário, que muitas vezes pratica ações não seguras, como define Jacinto Carlos de Godoy, diretor comercial da Adamas Enterprise. Para outros, como o diretor da Crédito Social, a vulnerabilidade é de quem desenvolve o sistema, pois “as plataformas ainda têm alguma vulnerabilidade e são frequentemente corrigidas”.
Mesmo assim, os entrevistados concordam que os aplicativos dos grandes bancos são seguros. Essas variáveis levam Luiz Antonio Valentim Rodrigues, diretor da QualiSign, a destacar a questão cultural da população como um impeditivo para a popularização dessas tecnologias: “todo o desenvolvimento e a ampliação do uso passam por uma curva de aprendizagem a ser feita pelo cliente das instituições financeiras. Além disso, a mudança é lenta e depende de interação entre as gerações e da formação das pessoas, pois, quanto melhor a formação, mais fácil a absorção de tecnologias”, sinaliza.
A essa necessidade, Gutierrez agrega o fato de que os aplicativos mobile encontram os aparelhos celulares convencionais como barreira para sua popularização. “Além dos smartphones serem mais caros, eles exigem, para funcionar a contento, acesso a pacote de dados ou Wi-Fi, o que ainda não é viável para grande parte da população”. E alerta: “em breve, as operadoras vão começar a não ter mais os aparelhos convencionais”.
Entusiasta e usuário dos aplicativos de mobile banking, Douglas Pombo, CEO da Inviron, destaca as tecnologias disponíveis, como a leitura do código de barras pela câmera do celular, e comemora: “A tecnologia veio para ficar! Os aplicativos estão cada vez mais funcionais e amigáveis”.
Focando na segurança das soluções, o diretor da Ability garante que “contamos com criptografia que protege a informação e blinda a comunicação, bem como com meios de autenticação de usuários bastante robustos. Além disso, a evolução dos datacenters para estruturas de nuvem também tornou muito mais confiáveis o armazenamento e a disponibilidade de informações. Além disso, dispositivos pessoais de maior segurança já estão disponíveis, contando com senha biométrica, possibilidade de rastreamento e desativação remota. Assim, o usuário pode contar com acesso móvel muito seguro aos sistemas essenciais”.
“Entendo que hoje o mercado de mobilidade já oferece um excelente nível de segurança nos smartphones e tablets, mas desde que o usuário tome medidas de precaução. Se alguém perder o seu dispositivo móvel com muitas informações importantes e sigilosas e elas forem protegidas por senhas e assim não acessíveis a terceiros, a culpa não é da tecnologia, pois todos os sistemas operacionais móveis do mercado oferecem condições adequadas para proteger os dados dos usuários, mas desde que ele assim o queira. Embora às vezes possa ser desconfortável, manter todos os dados do smartphone criptografados com senha segura é uma medida muito saudável”, recomenda Silveira.
Albuquerque cobra dos gestores mais conscientização sobre a velocidade e a facilidade de dispersão de informações caso algum usuário resolva divulgá-las indevidamente, devido à ubiquidade das redes sociais e facilidade de se copiar informações das telas”. Lembra, também, que responsabilidade, discernimento e boa fé dos usuários não podem ser garantidos exclusivamente pela tecnologia, sendo, portanto, pré-requisitos para se lidar com informações e sistemas sensíveis. Os critérios na concessão dos acessos e definição das políticas, bem como a auditoria efetiva das trilhas detalhadas, são de fundamental importância na segurança de sistemas móveis”.
Meios de pagamento em smartphones
Legislação recente do Banco Central do Brasil – Circular 3.680, de 04 de novembro de 2013, e suas atualizações, dispõe sobre a conta de pagamento a ser desenvolvida pelas instituições de pagamento para registro de transações de pagamento de usuários finais e se aplica às instituições financeiras e demais instituições autorizadas pelo Banco Central do Brasil a funcionar como agentes de contas de pagamento.
Para o diretor comercial da Adamas, essa circular do BC objetiva regular algumas práticas no mercado, como criação de moedas ou quase moedas digitais. Deve, ainda, estimular a bancarização da população e ampliar o uso dos smartphones para concretização de pagamentos, assim como favorecer o uso de outros dispositivos, pois, garante, “já existem dispositivos chipados para isso, como pulseiras”. Sinaliza, também, que as empresas de cartão de crédito, por exemplo, para não sofrerem com a concorrência, devem abrir empresas de pagamento.
Uma certeza todos possuem: o mercado vai crescer mais rapidamente e o smartphone vai se transformar em uma máquina de fazer pagamentos, com popularização dos adaptadores para digitar e para passar cartões de crédito, por exemplo. Ou, como diz Cristian Gutierrez: “o celular vai se tornar uma carteira digital”.
Paralelamente, como afirma Pombo, “isso quebra um modelo de negócio porque não precisa mais alugar máquina de cartão, por exemplo”. Opinião semelhante é expressa por Silveira, que diz: “a minha única convicção é a de que os nossos tradicionais cartões plásticos estão com os seus dias contados e serão substituídos por Apps nos nossos dispositivos móveis, com inúmeras vantagens e maior segurança. Acredito que a disseminação do uso de leitores biométricos nos smartphones, como hoje já estão sendo oferecidos nos dispositivos high-end, tenderá a acelerar esse processo, pois se trata de um importante elemento de identificação e segurança, não oferecido pelos cartões, e que poderá fazer a diferença para estimular essa migração”.
Espaço Inovação CIAB Febraban 2014
Comemorando sua décima edição, o Espaço Inovação Ciab Febraban 2014 reúne, em estante com 300 metros quadrados, 16 empresas desenvolvedoras de soluções inovadoras, selecionadas entre 33 inscritas. Juntas, compõem um quadro representativo da criatividade e da engenhosidade das empresas brasileiras, de pequeno e médio portes e ligadas a aceleradoras, comprovando a participação do Espaço Inovação no desenvolvimento do setor financeiro nacional.
Selecionadas para o Espaço Inovação CIAB Febraban 2014 por um comitê formado por 12 especialistas do setor, as soluções atendem as áreas de segurança, mobilidade, meios de pagamento, gestão de risco, assinatura e certificação digital, atendimento ao cliente, gestão de documentos, seguro, crédito e investimentos.

