A discussão da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) de usar parte da faixa de 6 GHz do espectro de radiofrequência atrasa o País e o faz perder oportunidades de mercado, apontaram as especialistas que participaram de um painel sobre o tema ontem (8/5) durante o Abrint Global Congress (AGC 2025).
Na ocasião, Martha Suarez, presidente da Dynamic Spectrum Alliance (DCA), organização responsável pela regulação do uso de radiação restrita do espectro, trouxe dados de um estudo de 2021 que apontava um crescimento do mercado interno bruto de US$ 1,63 bilhão em dez anos no Brasil só por conta do Wi-Fi. “É mais do que poderia conseguir com leilão de espectro”, ressaltou.
O impacto viria a partir da maior qualidade de banda, que melhora os serviços e puxa o consumo, além de mais pontos de rede Wi-Fi para consumo em espaços públicos com uma rede out-door melhor. Como as próprias operadoras apontaram que não precisam do 6 GHz até 2030, visto que o foco está na implementação do 5G nas frequências já licitadas, o País perde tempo.
A ampla defesa é para que o 6 GHz se mantenha como uma faixa de uso não licenciado para ser usado principalmente por Wi-Fi. “O Wi-Fi é mais barato e escalável e vai demandar mais espaço de banda no espectro para suportar mais dispositivos no futuro”, destacou Martha. Ela lembra que, nos Estados Unidos, as residências chegam a ter 24 dispositivos conectados. Com a evolução de tecnologias como realidade virtual e aumentada, o número de dispositivos e a demanda deles por rede estável só vai aumentar.
Abrint defende faixa toda para uso não licenciado
Cristiane Sanches, conselheira da Abrint, diz que a associação defende o uso integral da faixa para uso não licenciado, ou seja, todo o 1,2 GHz da faixa faixa 5.925 a 7.125 MHz. Na proposta da Anatel, a intenção é que o espectro de 6.425 MHz a 7.125 MHz (700 MHz, no total), seja disponibilizado para o serviço móvel pessoal (SMP), que é o uso para celulares.
“O Brasil tem mais de 22 GHz para uso do SMP enquanto o uso não licenciado hoje está por volta de 80 MHz. Não há justificativa técnica para que mais uma faixa seja disponibilizada ao SMP”, afirmou a conselheira. “No fim do dia, o debate é sobre rede fixas. E o consumidor prefere Wi-Fi.”
Raquel Renno, da Artigo 19, uma organização não-governamental (ONG) voltada para os direitos humanos, ainda lembrou que o espectro é finito e que o 6 GHz é muito bom para serviços diversos. “Fechar seu uso para a comunicação de rede móvel (SMP) limita o potencial da faixa. A variedade de usos que o espectro permite maior qualidade que, se começar a ser dividido, vai reduzir e trazer impacto negativo ao consumidor.”
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