Análise Setorial

Brasil pode se tornar potência de TI em 2020

Segundo Fábio Tagnin, da Intel, um dos desafios do País é a capacitação de profissionais altamente qualificados.

Estudos preliminares desenvolvidos pela Associação Brasileira das Companhias de Tecnologia da Informação e Comunicação (Brasscom) e consultorias externas, com apoio da Intel, apontam que o investimento em TI pode elevar o Brasil à condição das principais potências no segmento até 2020.

De acordo com a entidade, o desenvolvimento integrado e planejado dos pólos de tecnologia vai propiciar geração de empregos de alto valor agregado, crescimento de empresas e o fortalecimento do ecossistema de micro e pequenas empresas no País.

“Estamos assistindo a uma escalada sem precedentes no acesso à tecnologia e a comunicação é o motor desse crescimento. Até o final de 2010, um terço da população global terá acesso à internet e hoje já há 116 telefones para cada 100 habitantes do mundo”, diz Fábio Tagnin, diretor do programa World Ahead da Intel Brasil. “O Brasil, por sua vez, embora seja um dos países em que sua população passa mais tempo conectada, estava no início do ano abaixo da média mundial de penetração de banda larga. Precisamos reverter essa situação, pois internet rápida fomenta emprego e oferece suporte para o crescimento a longo prazo”, afirma.

O executivo destaca que a Brasscom estima um aumento das exportações de software e serviços de TI para 2020 em mais de seis vezes o volume registrado no ano passado, passando de US$ 3 bilhões para US$ 20 bilhões.

Para ele, isso acontecerá se o modelo atual de prestação de serviços padronizados e certificados, baseado na competição do melhor preço homem-hora, evoluir para um modelo baseado em desenvolvimento de soluções de alto valor percebido.

Esse crescimento, no entanto, pode esbarrar na falta de formação de mão-de-obra especializada em larga escala. De acordo com projeções do Observatório Softex, o ano de 2010 registrou um déficit de 71 mil profissionais. O relatório aponta ainda que este número possa chegar a 200 mil em 2013.

A instituição ressalta também que para vencer o desafio de aumentar em 50% o peso relativo do setor de TI no PIB, o País precisará incorporar cerca de 750 mil novos profissionais no mercado. “O investimento em infra de TI e banda larga trará mudanças no perfil dos profissionais formados e dos serviços exportados. Poderemos ter um ciclo virtuoso que afetará diversas esferas”, finaliza Tagnin.

 

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