Segundo ele, falta de pessoal é a principal preocupação de empresas com a cibersegurança, mas não é a única
Em conversas com executivos de tecnologia e lideranças em geral, a preocupação principal que Jaime Chanagá, CISO da Fortinet para América Latina e Caribe (foto acima), tem ouvido de seus clientes é sobre a falta de talentos em cibersegurança. Ele diz que o Brasil tem 800 mil vagas de trabalho em cibersegurança que não tem capacidade de serem preenchidas. No mundo, 3,5 milhões de especialistas em falta, sendo que os Estados Unidos precisam de pelo menos 1 milhão.
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“Há uma brecha muito grande no Brasil, não por falta de pessoas, mas precisamos de mais educação, mais conscientização, mais incentivos de proximidade para trazer essas pessoas às carreiras tecnológicas”, afirma ele, que diz ser necessário promover a diversidade em todos os aspectos para que mais pessoas se apaixonem pela carreira de cibersegurança.
Ainda segundo ele, as preocupações de executivos não se restringem apenas à falta de pessoal. “Empresas pedem por ajuda no nível estratégico e de conscientização em suas organizações”, diz ele, que explica que existe uma brecha entre os líderes tecnológicos e o board, e até com os times de marketing e de vendas.
Chanagá defende que as equipes de cibersegurança e TI precisam falar a linguagem do negócio e atender às necessidades do negócio. “Nós da cibersegurança temos um na visão de forçar a tecnologia em um processo de negócio. O maior valor para uma empresa seria fazermos a pergunta ‘o que vocês precisam?’ e anotar a tecnologia ou a segurança para apoiar e habilitar o negócio”, afirma.
Brasil é maior alvo de ciberataques
Chanagá aponta que o Brasil é foco de muitos ciberataques – só no primeiro semestre deste ano foram 23 bilhões – e representa um terço de todos os ataques da América Latina. O lado positivo, segundo o especialista, é que o setor de TI é bem desenvolvido e a regulamentação faz com que empresas tenham que se proteger melhor. “Mas o desafio é grande e precisa ter cuidado para se proteger.”
Ainda de acordo com ele, a Fortinet bloqueia 10 bilhões de ataques diariamente em todo mundo. “As organizações estão se protegendo, mas ainda há empresas que não reportam ataques porque eles não querem perder a reputação de negócio. Elas têm medo de uma multa do governo ou são protegidas por questões regulatórias e de segurança nacional que não exigem o reporte de ciberataques”, diz o CISO.
IA é ameaça?
A inteligência artificial (IA) tem ganhado cada vez mais relevância e espaço. Chanagá explica que o cibercrime já usa IA para criar códigos inteligentes, que entendem o comportamento do usuário e de aplicações, descobrindo o que pode ser comprometido. Por isso, ele defende que as soluções de cibersegurança também sejam inteligentes para detectar ataques mais rapidamente e minimizar o impacto nas operações do negócio das organizações.
Sobre as IAs generativas, ele explica que essa tecnologia ainda está crescendo e se popularizando, sendo usada em diversas funções de negócio, mas em cibersegurança ainda falta encontrar casos de uso. “São boas ferramentas, mas ainda precisa muita maturação para poder ser utilizadas em soluções apropriadas de segurança”, diz.
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