Projeto de Bruno Rodrigues em doutorado na Universidade de Zurique pode ajudar empresas a se protegerem de ataques de negação de serviço.
O brasileiro Bruno Rodrigues, assistente de pesquisa e aluno de doutorado da Universidade de Zurique, na capital homônima da Suíça, se destacou recentemente por anunciar o desenvolvimento do Blockchain Signaling System em seu Ph.D. Trata-se de um sistema de defesa cooperativo que permite simplificar a sinalização de ataques, bem como a troca de incentivos para realizar a mitigação de ataques.
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A ideia de Rodrigues é que o sistema passe a atuar como um marketplace de defesa sob demanda envolvendo organizações alinhadas com o mesmo objetivo de criar uma rede de protetora. Ele explica que esse sistema de blockchain pode ajudar empresas e indústrias a se protegerem dos ataques de distribuição de serviço (DDoS).
O doutorando explica que diversas pesquisas apontaram que uma defesa cooperativa pode trazer diversos benefícios em relação a defesas centralizadas, sendo a principal vantagem a capacidade de unir diferentes sistemas de detecção e mitigação de ataques. “O blockchain permite a simplificação da comunicação desses ataques e a troca de incentivos para que uma empresa utilize seu sistema de detecção e mitigação em prol de outra”, diz.
No entanto, para que essa solução desenvolvida por Rodrigues funcione perfeitamente, é necessário que os participantes, sejam empresas, industrias ou sites, estejam alinhados com o mesmo interesse de criar uma rede de proteção compartilhando sistemas de defesa baseando-se em incentivos.
“Supondo que haja um ataque cujo volume de tráfego exceda a capacidade de proteção de uma empresa e, por consequência, a indisponibilidade de um serviço, é possível sinalizar o ataque e a respectiva oferta de incentivos no blockchain de modo que outros participantes possam decidir sobre a participação na mitigação do ataque”, acrescenta.
Para isso, o brasileiro diz que a implantação de um sistema deste tipo parte de um aspecto não técnico que também não pode ser negligenciado, que visa estabelecer um nível de confiança inicial entre os membros compartilhando informações sobre ataques. “Cabe observar que para muitas industrias a imagem pública pode representar um ativo muito mais valioso do que um período de indisponibilidade, e, portanto, existe a necessidade da criação de uma aliança com objetivos claros e bem definidos entre seus membros.”
Por se destacar com seu projeto, Bruno é um dos convidados confirmados para palestrar no Cyber Security Summit Brasil 2018, conferência global de cibersegurança que acontece entre os dias 27 e 28 de julho, em São Paulo. No evento, o brasileiro representará a Universidade de Zurique.
Para Rafael Narezzi, especialista em Cibersegurança da 4CyberSec e idealizador do evento, o sistema desenvolvido por Bruno é genial e abre caminho para discutir outras revoluções da segurança cibernética. “Por exemplo, no caso de sites, o seu projeto nos permite criar um site atrás de um blockchain, em que vários blocos controlam esse acesso, ou seja, um hacker teria de atacar todos os blocos para tentar derrubar esse website, o que é impossível, pois se trata de uma rede descentralizada”, explica.

