7,6% dos pedidos são rejeitados por suspeita de fraude e 20% deles vão para revisão manual, segundo a Visa.
De acordo com a Global Consumer Card Fraud, o Brasil ocupa 2º lugar no mundo em fraudes em cartão de crédito (49%), superado apenas pelo México, com 56%. Os números são alarmantes. De acordo com a Visa, a cada 16 segundos ocorre uma tentativa de fraude no Brasil. 7,6% dos pedidos são rejeitados por suspeita de fraude e 20% deles vão para revisão manual. Os dados são um verdadeiro desafio para os lojistas que precisam manter a alta taxa de conversão sem abrir mão da segurança.
O alto número atribui-se, entre diversos fatores, à questão cultural, à redução de fraudes no mundo físico e ao crescimento do setor, atraindo cybercriminosos pelo seu potencial lucrativo. Segundo dados da Visa, o comércio eletrônico brasileiro deve crescer 15% neste ano, frente aos 12% de 2017.
A tendência é natural. A inclusão do sistema de chips na base brasileira de cartões fez com que as fraudes migrassem do mundo físico para o online. Os Estados Unidos, por exemplo, que passam agora por este processo, devem sofrer, em breve, o mesmo impacto”, explica Rogério Signorini, diretor geral da Braspag – empresa do grupo Cielo de soluções de pagamento para e-commerce da América Latina.
Fatores como: o aumento da base de cartões circulando no ambiente online devido à enorme oferta de serviços como streaming, VoD, transportes, etc; as constantes mudanças no comportamento do usuário, que cada vez mais busca maior comodidade e personalização na hora de comprar; e a própria evolução tecnológica – que proporciona tudo isso – faz com que o ambiente online seja um alvo desejado e altamente promissor para os fraudadores.
A avaliação mais recente aponta que 22% dos vazamentos de dados analisados pela Trust Wave em 2016 afetaram o setor de varejo. 63% da motivação dos ataques são para acesso a cartões de crédito, sendo 33% que trafegam no online. “A tendência é que os tipos de fraude acompanhem a evolução tecnológica, mas o papel de toda a cadeia de varejo é que os avanços para evitar os cybercrimes estejam sempre um passo à frente. E existem diversas ferramentas para isso”, conta Signorini.
Dentre as fraudes mais comuns no ambiente online, estão:
- Controle de conta (roubo de dados por meio de malware ou phishing);
- Afiliada (gerada por afiliadas para gerar receita ilegítima);
- Botnets (computadores infectados com software malicioso para roubar dados e permitir acesso aos criminosos);
- Teste de cartão (para saber se cartões roubados estão ativos e possuem limite disponível);
- Limpa (utiliza informações roubadas para se passar pelos verdadeiros portadores do cartão);
- Amigável (o consumidor faz a compra com o seu próprio cartão de crédito e informa não reconhecê-la após o recebimento do produto ou serviço);
- Roubo de identidade (uso da identidade de outra pessoa para obter crédito e outros benefícios);
- Lavagem de dinheiro (oculta a verdadeira origem dos fundos obtidos para que eles pareçam legais);
- Phishing/pharming/whaling (técnicas para atrair consumidores para sites falsos por meio de links em e-mails ou redes sociais para obter dados bancários e outras informações sensíveis);
- Triangulação (uso de cartões de crédito roubados para efetuar compras online. Os produtos são revendidos a clientes legítimos).