Negócios

Capex global de telecom deve cair em 2026, enquanto Brasil mantém ritmo estável

O ciclo global de investimentos em telecomunicações começa a mudar de direção. Após anos de expansão acelerada impulsionada pela implantação do 5G, o Capex das operadoras deve entrar em trajetória de queda a partir de 2026, segundo análise da Dell’Oro Group. A inflexão reflete um movimento já esperado em mercados mais maduros, onde grande parte da infraestrutura de nova geração já foi implantada e a prioridade passa a ser eficiência e retorno sobre o capital investido.

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A desaceleração ocorre após um período concentrado de aportes entre 2021 e 2023, quando operadoras intensificaram a construção de redes, modernização de sistemas e ampliação de capacidade. Com essa etapa avançada, o foco estratégico migra da expansão para a monetização,  um desafio que envolve não apenas novos modelos de receita, mas também o uso mais intensivo de automação e inteligência artificial para redução de custos operacionais.

Brasil sustenta Capex em níveis elevados

Esse cenário, no entanto, não se replica de forma direta no Brasil. Diferentemente de mercados que já atravessaram o pico de investimentos, o país ainda apresenta características típicas de expansão, o que sustenta o Capex em níveis elevados.

Dados da Conexis Brasil Digital indicam que os investimentos do setor somaram cerca de R$ 34,6 bilhões em 2024, mantendo o mercado em um patamar consistente com os anos recentes. Em 2025, apenas no primeiro semestre, foram investidos R$ 16,5 bilhões, sinalizando continuidade dos aportes mesmo em um ambiente macroeconômico mais desafiador.

Ao mesmo tempo, o setor segue atraindo capital internacional. Informações do Banco Central do Brasil, com base em dados de investimento direto no país, apontam que as telecomunicações receberam cerca de R$ 39,1 bilhões em recursos externos em 2025, um indicativo da relevância estratégica da infraestrutura digital brasileira no cenário global.

A dinâmica competitiva entre as operadoras ajuda a explicar a resiliência dos investimentos. Empresas como Telefônica Brasil, Claro Brasil e TIM Brasil seguem direcionando recursos para a expansão do 5G e da fibra óptica, em um movimento que combina obrigações regulatórias, disputa por mercado e necessidade de ampliar cobertura e qualidade de serviço.

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