Em conversa com o Portal Meta-Análise, o country manager e o novo diretor de BI da empresa explicam a estratégia da companhia e falam sobre o cenário atual de inteligência de mercado no Brasil.
Multinacional especializada em negócios de tecnologia para mercados complexos ou em desenvolvimento, a Carpio Solutions, que iniciou recentemente suas operações no Brasil, acaba de contratar Matias Rein como seu novo diretor de Business Intelligence. A iniciativa foi impulsionada pela parceria da empresa com a MicroStrategy, efetivada em maio deste ano, que capacita a Carpio a implementar projetos de BI baseados no software da fornecedora. Considerando os desafios do novo cargo, o executivo ressalta dois aspectos principais. "Tenho um desafio interno e outro externo. O primeiro consiste em preparar e liderar uma equipe altamente qualificada de serviços, que compreende consultores e a fábrica de Business Intelligence (distribuição de serviços off-shore), para atender, dentro dos mais altos padrões de qualidade, às exigências dos mercados interno e externo. O segundo desafio diz respeito a difundir a metodologia TAS – Techical Advisory Services – que consiste em obter os melhores resultados em projetos, aliando redução de custos e mitigação de riscos", explica Rein.
Com a contratação de Rein, pós-graduado em Gestão de Projetos pela USP e com oito anos de atuação na MicroStrategy, a Carpio criou uma unidade de BI, que “deverá responder por 10% a 12% do faturamento da empresa no País até o final do ano”, segundo Richard Kiefer, country manager da Carpio no Brasil. “Também pretendemos comercializar softwares de BI até o final do ano. Mas nos ateremos à produtos de nossa parceira, a MicroStrategy”, antecipa o executivo.
Em apenas um mês com Rein à frente da unidade de BI, a Carpio já fechou um contrato, em parceria com a MicroStrategy, para a implementação de um projeto de BI em uma importante rede varejista no Rio de Janeiro, que deve ser iniciada na segunda quinzena de julho.
Segundo o novo diretor de BI da Carpio, este é um grande momento para a inteligência de mercado no Brasil, pois, finalmente, as empresas nacionais estão compreendendo que o Business Intelligence pode contribuir para melhorar o nível das informações geradas, analisar o mercado, mapear o comportamento da concorrência, aumentando assim a competitividade e o faturamento das companhias. Outra mudança que facilitou o uso de BI no Brasil, segundo Rein, foi a descentralização das decisões de compra de soluções nas empresas. “Até alguns anos atrás, o departamento de TI era o único responsável pela decisão de compra de softwares como o BI. Hoje isso mudou e a decisão pode ter a participação do departamento financeiro, de vendas, e de marketing. Acontece até mesmo do próprio departamento usuário comprar a solução, só com o apoio da TI. Um exemplo claro disso é o que ocorre com as empresas de telecomunicação, que consultam muito pouco, ou quase nada, a área de TI.”
Outro fator fundamental para o aumento na demanda por soluções de inteligência de negócios no Brasil, segundo Kiefer, foi a consolidação da economia nacional. “Essa estabilidade possibilita o planejamento de ações para o crescimento da empresa, e o BI é fundamental para o recolhimento de informações mais sofisticadas, que de fato contribuirão para a construção de cenários e para a tomada de decisões estratégicas”.
Apesar do cenário positivo, os executivos concordam que os brasileiros ainda estão muito aquém dos americanos e precisam “amadurecer” o conceito de BI. Segundo eles, muitos empresários ainda resistem à adoção de BI por conta dos investimentos necessários em software e hardware, sem acreditar que a solução trará retornos que pagarão os custos do projeto. “Por isso é importante traçar um roadmap, utilizando métricas desenvolvidas através das melhores práticas, para medir e acompanhar o nível de desenvolvimento do BI da empresa, dando continuidade ao projeto, mitigando riscos e buscando alternativas mais próximas ao alinhamento do negócio”, explica Rein.
Quanto ao futuro do mercado de BI no Brasil, Kiefer prevê: “A concorrência entre os grandes players está cada vez mais acirrada e o consumidor só tem a ganhar com isso. A flexibilização dos fornecedores nas negociações deve continuar, gerando descontos cada vez maiores nos projetos. Criados para atender à demanda das empresas de pequeno porte por BI, os pequenos fornecedores e integradores deverão se multiplicar, tentando abocanhar também o middle market. Acredito que os grandes fornecedores iniciarão ou aumentarão a oferta de SaaS (software as a Service), como forma de ganhar espaço no segmento SMB. Por fim, espero um aumento na oferta de mão de obra especializada em BI, cuja escassez elevou os salários e, consequentemente os valores dos serviços de implementação, diminuindo as margens de lucro das integradoras”.

