Diante do transforno provocado pela atualização do software da CrowdStrike, a comunidade de profissionais especializados em segurança digital Guardiões Digitais, promovida pela Indroduce, alerta para a importância de as empresas criarem e manterem atualizadas políticas de resposta a incidentes.
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Esta política tem como objetivo preparar a instituição ou organização para lidar com a gestão de um incidente de segurança, garantindo que responda de forma mais rápida, organizada e eficiente ao evento, minimizando suas consequências para todos os envolvidos.
A Guardiões Digitais destaca que o episódio de hoje apresenta ao mundo o que as empresas já sabem, mas que algumas negligenciam total ou parcialmente: é preciso se preparar para novos apagões.
Isto porque, na economia digital, todos os sistemas e dispositivos estão conectados. “Softwares, sistemas e clouds se integram”, lembra a comunidade.
Fatores que podem interromper o funcionamento de serviços digitais:
- Ataques cibernéticos
- Falha humana
- Falha em processos
- Falha em gestão de mudança
- Falha em comunicação
- Falha em Energia
- Falha em Internet
- Falha em atualização de patchs
Segundo a Guardiões Digitais, fará toda diferença para empresas e instituições estarem preparadas com:
- PCN – Plano de Continuidade de Negócios
- GMUD – Gestão de Mudanças (Change Management)
- CSIRT – Grupo de Resposta a Incidentes de Segurança em Computadores (do inglês “Computer Security Incident Response Team“).
A comunidade atua na educação das pessoas para o enfrentamento de problemas relacionados a segurança cibernética, como que aconteceu hoje.
Dualidade brasileira
Comentando o incidente em entrevista para a GloboNews, Luca Belli, coordenador do Centro de Tecnologia e Sociedade da FGV Direito Rio (foto), reforça a importância de as empresas definirem políticas de resiliência cibernética e e diz que “sem esta estratégia, com planejamento, execução das respostas, e monitoramento contínuio dos sistemas, a possibilidade de recuperação dos serviços se torna difícil”.
No caso CrowsdStrike, por exemplo, os profissionais precisam intervir fisicamente em cada dispositivo afetado para recuperar a versão anterior do sistema, sem que haja qualquer possibilidade e ação automática e remota.
Belli também lembra que as empresas tomam ações isoladas de cibersegurança no Brasil, pois não há agência reguladora de cibersegurança nem uma estratégia institucional. “O governo federal adotou, ano passado, por decreto, a nova política, mas muita coisa ainda está sendo construída. Estamos muito atrasados”, afirma, citando que a agência europeia foi criada em 2004, ou seja, há 20 anos.
Segundo ele, é possível que o Brasil tenha sido menos afetado do que outros países, primeiro pelo fuso-horário, uma vez que as primeiras 12 horas do evento foram cruciais para o início da solução do problema; e também porque no Brasil há a diversidade de soluções é maior.
“Aqui talvez tenhamos maior diversidade, porque não temos proibição de empresas, como ocorre nos Estados Unidos e Europa, casso da empresa russa Kaspersky, nos EUA. “Esta é uma equestão de soberania digital. Temos um leque de opções que nos ajuda a incrementar a possibilidade de buscar a solução mais adequada e também contar com soluçoes diferentes”.
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