Economia Digital

Ceará entra na rota global da IA com polo exportador de serviços de data centers

O Ceará entrou de vez na rota global da inteligência artificial e da infraestrutura digital. A Zona de Processamento de Exportações (ZPE) do Pecém, no litoral cearense, foi oficialmente autorizada a abrigar cinco novos data centers, com investimentos estimados em R$ 571 bilhões, segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).

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A decisão marca o início de um novo ciclo de investimentos no País, que combina exportação de serviços digitais e transição energética sustentável, colocando o Brasil na vanguarda da economia de dados e baixo carbono.

Os cinco projetos aprovados pelo Conselho Nacional das Zonas de Processamento de Exportações (CZPE) incluem a construção de data centers da ByteDance Brasil Tecnologia, controladora do TikTok, e da Exportdata, especializada em infraestrutura digital voltada à exportação.

Alta capacidade

A ByteDance prevê R$ 108 bilhões em investimentos até 2035 na construção de um data center de alta capacidade, com operação prevista para 2027, criação de 550 empregos diretos e indiretos, e mais de 3.800 postos nas obras de infraestrutura.

A Exportdata planeja quatro unidades adicionais, com operação escalonada entre 2027 e 2032 e investimento total de R$ 349 bilhões, incluindo a geração própria de energia solar e eólica para sustentar suas operações.

Somados, os cinco empreendimentos deverão gerar 95 mil empregos diretos e indiretos e R$ 80 bilhões anuais em exportações de serviços digitais, segundo o MDIC.

“Estamos unindo a atração de investimentos em alta tecnologia, como esses data centers, à transição energética sustentável, que exige o uso de energia renovável. São iniciativas que colocam o Brasil na vanguarda da inovação e da economia de baixo carbono”, afirmou o vice-presidente e ministro do MDIC, Geraldo Alckmin.

Big techs observam o movimento

A entrada da ByteDance no Pecém despertou a atenção de grandes players globais que ainda não oficializaram presença, mas já avaliam o potencial do polo digital. Segundo o presidente da ZPE Ceará, Fábio Feijó, empresas como Meta, Google, Netflix e Microsoft manifestaram interesse inicial após a repercussão do projeto chinês.

“Entramos efetivamente no mapa global da tecnologia. Quando o projeto começou a ganhar destaque com a ByteDance e os cabos submarinos, empresas do mundo todo passaram a nos procurar. Hoje, temos vários clientes interessados”, disse Feijó, em entrevista ao Diário do Nordeste, assinada por Victor Ximenes.

Essas tratativas ainda estão em fase de sondagem e curadoria, enquanto a ZPE seleciona projetos com maior retorno econômico e social para o Estado.

Data centers voltados à exportação

Os empreendimentos no Pecém serão os primeiros data centers do Brasil dedicados exclusivamente à exportação de serviços digitais. O modelo prevê que os dados e conteúdos hospedados nos centros cearenses sejam consumidos por usuários fora do país – principalmente na Europa e nos Estados Unidos, conectados pelos cabos submarinos que chegam ao litoral do Ceará.

Essa característica transforma o Estado em um hub estratégico de distribuição digital internacional, reforçando a competitividade do Brasil no mercado global de tecnologia e inteligência artificial.

Integração entre digitalização e energia limpa

Do total de investimentos previstos, R$ 81 bilhões serão aplicados em infraestrutura e energia renovável, conectando os data centers a projetos de hidrogênio e amônia verdes também aprovados para o Pecém.

A sinergia entre data centers inteligentes e geração sustentável cria um modelo inédito de infraestrutura digital limpa, alinhado à agenda de descarbonização industrial e à transição energética brasileira.

“É um negócio conectado. Pode rodar do Alasca, do Saara ou daqui, desde que haja conectividade. E nós temos essa vantagem no Ceará”, reforçou Feijó.

Com conectividade internacional, energia verde e incentivos fiscais exclusivos das ZPEs, o Ceará se consolida como nova fronteira de infraestrutura digital do país — capaz de atrair investimentos estratégicos, gerar empregos qualificados e projetar o Brasil no mapa da IA e da economia de dados.

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