Casos de sucesso

Cemar integra comunicação usando IP

A distribuidora de energia elétrica do Maranhão, Cemar, conseguiu enfrentar dois grandes obstáculos em relação ao seu sistema de comunicação: custo e falta de infra-estrutura. Solução foi adotar o IP como plataforma e desenvolver, internamente, um sistema adequado às necessidades da empresa.

A Cemar, única distribuidora de energia do Maranhão, conseguiu enfrentar dois grandes obstáculos em relação ao seu sistema de comunicação: custos e falta de infra-estrutura.

O projeto de comunicação integrada teve início em 2005, quando se percebeu a possibilidade de cortar custos e melhorar a performance através do uso da telefonia IP. “Notamos que podíamos reduzir os custos, mas tínhamos toda a rede de dados para interligar entre as subestações e os escritórios comerciais”, conta Sérgio Rodrigo Pereira Araújo, engenheiro de telecomunicações da empresa.

A criação da Companhia Energética do Maranhão, como ela é hoje, aconteceu em abril de 2004, quando o controle acionário foi transferido à SVM Participações e Empreendimentos Ltda, companhia controlada por fundos de private equity da GP Investimentos. Com quatro Unidades Comerciais, distribuídas nas cidades de São Luís, Bacabal, Timon e Imperatriz, ela atende mais de um milhão de clientes em todo o Estado, em seus 217 municípios.

A solução de comunicação, totalmente idealizada internamente, foi apresentada ainda no meio de 2005. O primeiro passo foi colocar um servidor de gerenciamento de chamadas no data center.

“Para garantir a qualidade, resolvemos utilizar o protocolo SIP, de última geração, e o software Asterisk”, explica o executivo. Depois, foi feita a integração de um gateway voip a esse servidor. O escritório principal utilizava um PABX analógico da Alcatel, que suportava mais de 300 ramais. Como também foram ligados a esse equipamento outros gateways de voz sobre IP, hoje qualquer ramal faz ligações convencionais e ligações IP através do PABX. “Algumas centrais permitem fazer a rota de menor custo. Já nas outras a escolha é do funcionário”, afirma Sérgio.

Outra maneira encontrada para utilizar a nova tecnologia foi a instalação de softphones nos desktops e laptops da empresa. Para o engenheiro, a grande vantagem dessa ferramenta é permitir que um empregado que esteja em casa ou em viagem consiga se conectar e se registrar no servidor principal, fazendo chamadas usando a estrutura da companhia. A ferramenta escolhida foi a Eyebeam, desenvolvida pela Counterpath.

Além disso, houve também uma integração com a telefonia móvel. Através de placas especializadas, foram instalados chips de celular na central telefônica. Isso fez com que as chamadas de telefones fixos para móveis se transformem em ligações celular-celular. “Como temos um acordo com a TIM de que chamadas entre celulares da empresa não são cobradas, acabamos não pagando nada quando alguém liga de um telefone fixo da empresa para um celular da Cemar”, comemora Sérgio Rodrigo. Já em chamadas para celulares que não sejam da empresa, a tarifa é bem mais barata.

Finalizando o projeto, a empresa conseguiu acoplar a todo esse esquema o sistema de comunicação via rádio (VHF). Antes da mudança, foram instaladas repetidoras nas subestações, onde havia a necessidade de uma pessoa para retransmitir as ordens de serviço para as equipes de campo através do rádio. Para fazer essa integração, foi estendido um link até as subestações.

Nestas repetidoras foi colocada uma interface controladora com uma porta de telefonia. Para terminar, nesta interface foi ligado um gateway de voz sobre ip. Com isso, se tornou possível reduzir de 17 para seis o número de centros de operação da distribuição. Ao invés de precisarem manter alguém e toda uma infra-estrutura para essa pessoa (luz, água, limpeza, etc), agora basta uma visita periódica de um técnico para fazer a manutenção dos equipamentos.

Na prática, hoje é possível que seja feito um chamado da central diretamente para as equipes de campo, transformando os rádios em um telefone ip. “Isso é muito importante para nós, uma vez que a cobertura celular no Maranhão é muito fraca. Com nossa rede é como se eu colocasse um celular na mão do eletricista”, garante o engenheiro.

E o projeto ainda não parou. A meta da Cemar é diminuir a quantidade de centros para quatro em 2007 e no ano que vem chegar a apenas um, que acomode o Maranhão inteiro. Apesar de não citarem números quanto ao investimento, a opção por adotar uma combinação de telefonia analógica com IP através do uso de gateways é classificada como muito barata.

“Comparada com outros projetos analisados, nossa solução se mostrou em torno de cinco vezes mais barata”, diz Sérgio. Em relação à economia com telecomunicações, o engenheiro diz que houve uma redução entre 30% e 40% nas contas telefônicas.

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