Pesquisas2

Cerca de 80% das adolescentes não se sentem seguras online

Apenas um terço das meninas brasileiras entrevistadas sabe como denunciar uma situação de perigo na internet.

 

Em pesquisa realizada em todo o Brasil, cerca de 80% das adolescentes entrevistadas declararam se sentir inseguras no ambiente online, apesar de afirmarem conhecer as ameaças. E apenas um terço delas sabe como denunciar uma situação de perigo online. O levantamento, realizado no país pela CPP Brasil (Parceria para a Proteção da Criança e do Adolescente), faz parte da publicação internacional da ONG Plan “Fronteiras Digitais e Urbanas: Meninas em um ambiente em transformação” (“Digital and Urban Frontiers: Girls in a Changing Landscape”). O documento traz um retrato de como as tecnologias de comunicação e informação (TICs) têm impactado a vida de meninas em todo o mundo, bem como os riscos a que elas se expõem com a exploração dessas inovações.

O levantamento no Brasil mostra que das meninas entrevistadas, 60% disseram saber sobre os perigos online, 79% não se sentem seguras online, 50% disseram que gostariam de encontrar pessoalmente alguém que conheceram online e apenas um terço das meninas sabe como relatar um perigo quando estão online.

A pesquisa ainda mostrou que o uso das TICs está crescendo muito rapidamente, particularmente entre os jovens de 15 a 17 anos. Entre eles, durante o período de 2005 a 2008, houve o maior aumento percentual de todos os setores da população, de 33,7 para 62,9%. A maioria das meninas nesta pesquisa possuía telefones celulares (86%) e usa a internet (82%). Pouco mais de um quarto delas declarou que estava “sempre online”. As meninas que tem acesso a um computador geralmente passam de uma a sete horas online por dia.

Os dados do levantamento nacional foram recolhidos por meio de uma pesquisa online, respondida por cerca de 400 adolescentes de diversos estados, e de grupos focais de discussão. “O estudo retrata realidades de meninas em situações culturais e econômicas muito diferentes. Isso nos permite pensar em soluções que podem diferir de acordo com o território e região pesquisada”, apontou Luiz Rossi, gestor da CPP Brasil.

A publicação traz ainda uma série de recomendações, dirigidas ao governo, empresas, sociedade, famílias e às próprias internautas, para aumentar a segurança das adolescentes no ambiente online. “As famílias, principalmente os pais, podem contribuir muito para diminuir a exposição das adolescentes. Em muitos casos, aliás, é preciso primeiro promover a inclusão digital dos pais, para que esses se familiarizem com as ferramentas online e possam acompanhar mais de perto a navegação dos filhos”, afirmou Rossi. Além do envolvimento da família, o relatório aponta a necessidade do engajamento dos atores locais, estaduais e nacionais para defesa e implementação das leis do setor e de novas pesquisas focadas na relação das meninas com as TICs.

O relatório faz parte da campanha internacional da Plan “Because I am a Girl” (“Porque Sou uma Menina”), que anualmente publica relatórios sobre a situação das meninas em diferentes ambientes e regiões do mundo. No Brasil, a Plan desenvolve projetos visando à redução do abuso e da exploração sexual de adolescentes facilitados pelas TICs, com a promoção do conhecimento sobre os benefícios e malefícios da utilização das ferramentas online. Entre as iniciativas, estão campanhas de fortalecimento de redes comunitárias e de estímulo ao protagonismo infanto-juvenil; de orientação e conscientização de proprietários de estabelecimentos de acesso à internet (lan houses, cyber cafés e outros); e a formação de parcerias com organizações públicas e privadas que já desenvolvem ações ligadas à garantia dos direitos e ao combate ao abuso e exploração de crianças e adolescentes.

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