Segurança

Ciberataques expõem falhas críticas na arquitetura de rede, aponta relatório

A explosão de conectividade nas empresas brasileiras, impulsionada por operações cada vez mais distribuídas e digitalizadas, vem expondo uma realidade preocupante: a fragilidade estrutural das redes corporativas diante da escalada dos ataques cibernéticos. De acordo com o mais recente relatório da NETSCOUT, o Brasil registrou mais de 1 milhão de ataques DDoS apenas no segundo semestre de 2024 – um crescimento de 29,83% em relação aos seis meses anteriores. Com uma média superior a 5.790 ataques por dia, o dado reforça o país como um dos alvos mais frequentes da América Latina e escancara a necessidade urgente de reestruturação da infraestrutura de rede.

CONTEÚDO RELACIONADO – Ataques DDoS com menos de 5 minutos aumentam mais de 35%

Por muito tempo, a segurança da rede foi tratada como um complemento, baseada em soluções reativas e pontuais, voltadas à proteção do perímetro. Essa abordagem, porém, perdeu eficácia em um ambiente digital marcado por tráfego dinâmico, acessos remotos e ataques automatizados e silenciosos. A visibilidade limitada sobre o que trafega na rede, a ausência de segmentação inteligente e a falta de integração entre os domínios de segurança e operação vêm comprometendo a capacidade de resposta das empresas.

Como destaca Luiz Eduardo, especialista da Binario.net, construir resiliência não é mais uma opção, e sim uma exigência para quem deseja manter a continuidade do negócio: “Segurança deixou de ser um acessório. Hoje, ela precisa estar integrada desde a concepção da rede, com visibilidade em tempo real, inteligência de segmentação e resposta rápida a incidentes.” A transformação das redes exige mais do que tecnologia: demanda uma nova lógica de arquitetura, na qual segurança, automação, governança e inteligência de tráfego operem de forma coordenada.

Esse movimento de redesenho da infraestrutura já é perceptível em setores como telecomunicações, finanças e varejo – áreas que dependem de operações ininterruptas e de alto desempenho. Nessas organizações, a segurança começa a ser tratada como competência estrutural, e não mais como uma camada isolada ou uma medida emergencial. A lógica é clara: é preciso antecipar o risco, reduzir a superfície de ataque e garantir que os dados trafeguem com controle, escalabilidade e resiliência.

A tendência é respaldada por projeções do Gartner, que estima que, até 2026, 60% das funções de cibersegurança utilizarão métodos de avaliação de risco com foco no impacto sobre os negócios. Esse alinhamento entre arquitetura técnica e estratégia corporativa transforma a infraestrutura de rede em um ativo essencial para inovação, desempenho e continuidade.

Na prática, isso exige que as redes estejam preparadas para lidar com a complexidade crescente dos ambientes operacionais, sustentando múltiplos fluxos, acessos descentralizados e integrações em tempo real. Redes com inteligência embarcada, capazes de se adaptar e reagir com agilidade, se tornam parte da própria sustentação do negócio.

Como reforça Luiz Eduardo, o cenário atual não exige apenas evitar riscos, mas sobretudo estar preparado para enfrentá-los com clareza e velocidade. Em um ambiente onde o imprevisível se tornou rotina, é a resiliência da rede que define a capacidade das empresas de manterem sua operação viva – e competitiva.

Participe das comunidades IPNews no InstagramFacebookLinkedIn X

Newsletter

Inscreva-se para receber nossa newsletter semanal
com as principais notícias em primeira mão.


    Deixe um comentário

    O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *