A Check Point Software apresenta cenário atualizado de dados analisados sobre os ciberataques que usam o tema Coronavírus. Os cibercriminosos estão usando o treinamento sobre COVID-19 para funcionários como isca de phishing e adotando outro assuntos relevantes do noticiário (incluindo “Black Lives Matter” – “Vidas Negras Importam”) em técnicas de phishing. Os ciberataques em geral semanais aumentaram 18% em comparação com a média de maio, enquanto aqueles relacionados à COVID-19 caíram 24% se comparado ao mês de maio.
Esse quadro fragmentado também se reflete na “economia” do cibercrime. Os dados mais recentes levantados pelos pesquisadores da Check Point mostram que o risco de uma empresa ser impactada por um site malicioso relacionado ao novo coronavírus depende se o país em que ela está localizada voltou aos negócios ou ainda está fechado. O gráfico abaixo representa a mudança no número de organizações afetadas por sites maliciosos relacionados ao tema Coronavírus em diferentes regiões nos meses de maio e junho de 2020:
Em regiões como a Europa e a América do Norte, onde setores reiniciam suas atividades e as organizações estão voltando ao trabalho, houve uma queda acentuada no número de empresas afetadas por esses sites maliciosos. Já na América Latina e África do Sul, que ainda lutam contra o surto de Coronavírus, o gráfico indica instâncias contínuas e crescentes de empresas sendo afetadas por ataques maliciosos relacionados a esse vírus.
Golpes cibernéticos “normais” e novos
À medida que as empresas retomam atividades e reabrem escritórios, a COVID-19 continua a representar uma ameaça, pois as organizações estão testando programas e aplicando novas regras no local de trabalho para evitar novas infecções. Para preparar os funcionários para esse “novo normal”, muitas delas vêm realizando seminários on-line, cursos e treinamento para explicar as restrições e os requisitos para voltarem ao trabalho.
Assim, os cibercriminosos permanecem sempre alertas a essas novas oportunidades. Portanto, não é surpresa que os pesquisadores tenham detectado atacantes distribuindo e-mails de phishing e arquivos maliciosos disfarçados de material de treinamento sobre a COVID-19. Por exemplo, o e-mail de phishing abaixo está tentando convencer a vítima a se inscrever em um treinamento falso para funcionários que realmente leva a um site mal-intencionado: https://afzan\.co/wp-content/themes/1/1 (atualmente inativo).
Apropriação de manchetes do noticiário
Outra consequência de alguns países adotarem um “novo normal” refere-se aos cibercriminosos que se apropriam de outros grandes temas do noticiário como isca para seus golpes. Um recente exemplo disto está relacionado ao movimento “Black Lives Matter” (“Vidas Negras Importam”). No início de junho, quando esses protestos globais atingiram o pico, os pesquisadores descobriram uma campanha maliciosa de spam relacionada a este movimento. Os e-mails distribuíram o conhecido malware Trickbot como um arquivo .doc malicioso, normalmente nomeado no formato “e-vote_form _ ####. Doc” (# = dígito).
Os e-mails foram enviados com assuntos como “Dê sua opinião confidencialmente sobre ‘Black Lives Matter’”, “Deixe uma opinião sobre ‘Black Lives Matter’” ou “Vote anonimamente sobre ‘Black Lives Matter’”.
Quando o usuário abre o e-mail e clica sobre o anexo, aparece a seguinte mensagem:
Em segundo plano, os arquivos entram em contato com duas URLs maliciosas:
inspeclabeling [.] com / wp-content / themes / processing / may.php
ppid.indramayukab [.] go [.] id / may.php
Houve também uma campanha maliciosa relatada anteriormente, a qual se aproveitou do mesmo tópico.
Ciberataques semanais relacionados ao Coronavírus
Na atualização anterior, os pesquisadores da Check Point relataram um aumento de 16% no número de ciberataques em maio, em comparação aos meses de março e abril. Três semanas depois, viram um aumento adicional de 18% nos ataques semanais em geral em comparação com o número médio em maio.
Assim, os ataques relacionados ao Coronavírus estão diminuindo, com um número médio de cerca de 130 mil ataques (ou exatos 129.796) por semana durante a primeira semana de junho, uma queda de 24% em comparação à média semanal de maio.

Novos domínios registrados do Coronavírus
Nas duas primeiras semanas de junho foram registrados 2.451 novos domínios relacionados ao Coronavírus. Desses, 4% foram considerados maliciosos (91) e outros 3% suspeitos (66).
Recentemente, os pesquisadores também informaram que, devido ao aumento do desemprego, houve um crescimento de ciberataques com assuntos e arquivos maliciosos disfarçados de currículos profissionais (CVs) nos Estados Unidos e na Europa. O número de arquivos maliciosos identificados dobrou nos últimos dois meses, com um em cada 450 arquivos maliciosos sendo uma fraude relacionada ao CV. Em junho, observou-se um aumento semanal de 20% nos ciberataques relacionados a este tema de currículos a partir de maio, um em cada 370 arquivos.
Uma tendência semelhante também foi observada em outras partes do mundo, cujo número de golpes semanais referentes aos CVs dobrou globalmente a partir de maio até junho, sendo um arquivo em cada 1.270 anexos sendo malicioso.
Dicas de segurança
É preciso que as pessoas se lembrem das regras de ouro para garantir a segurança no mundo digital e, assim, evitar ser uma nova vítima de um ciberataque:
- Cuidado com domínios semelhantes, erros de ortografia em e-mails ou sites e remetentes de e-mail desconhecidos.
- Muita cautela com os arquivos recebidos por e-mail de remetentes desconhecidos, especialmente se eles solicitarem uma determinada ação que o usuário normalmente não faria.
- Verificar se as compras online de produtos são de uma fonte autêntica. Uma maneira de fazer isso é NÃO clicar em links promocionais em e-mails e, em vez disso, procurar no Google a loja online desejada e clicar no link na página de resultados do Google.
- Cuidado com as ofertas “especiais” como “Uma cura exclusiva para o Coronavírus por US$ 150”, geralmente, não é uma oportunidade de compra confiável. Neste momento, não há cura para o Coronavírus e, mesmo que houvesse, isto definitivamente não seria oferecido por e-mail.
- Certificar-se de não reutilizar senhas entre aplicativos e contas diferentes.
As organizações devem evitar ataques de dia zero com arquitetura de segurança de ponta a ponta, bloquear sites de phishing falsos e fornecer alertas sobre a reutilização de senha em tempo real. As caixas de e-mail são a porta da frente da organização. As técnicas de phishing direcionados roubam US$ 300 bilhões das empresas todos os meses. Então, deve-se proteger contra o comprometimento de e-mail e de técnicas de phishing com segurança adequada de e-mail.

