*Por Rafael Gontijo
Em 2023, os bancos nacionais destinaram R$ 4,51 bilhões à segurança digital, o que representa quase 10% de todo o orçamento tecnológico. A Febraban aponta que o uso de IA já transformou áreas inteiras, com plataformas que analisam milhares de transações por segundo, identificam padrões suspeitos e reagem de forma automatizada. Casos como o do Danske Bank, que reduziu em 60% os falsos positivos e aumentou na mesma proporção a detecção de fraudes, evidenciam que esse é um método funcional.
CONTEÚDO RELACIONADO – Facebook e Instagram são as redes sociais que mais despertam desconfiança em consumidores
Os bancos já entenderam que ataques cibernéticos são constantes e a pergunta não é se eles vão acontecer, mas quando e o que fazer quando acontecerem. Nesse novo contexto, a Inteligência Artificial é o principal auxiliar. A tecnologia que antes era usada por cibercriminosos para criar fraudes agora é empregada pelas instituições financeiras para identificar comportamentos anormais, bloquear invasões em tempo real e aprender com cada tentativa de ataque. A mesma arma, mas em mãos opostas.
Ainda assim, os ataques não diminuem. E isso não é paradoxal, é sintoma de uma nova era em que os criminosos operam com estrutura, ferramentas sofisticadas e muitas vezes com IA do outro lado também. Com mais de 80% das transações bancárias sendo feitas por canais digitais e mais da metade via mobile, cada novo aplicativo, cada API, cada rede doméstica de trabalho remoto se transforma em um possível potencial de entrada para ataques.
Se somam, também, as exigências regulatórias, como a LGPD no Brasil e em breve, o DORA na Europa. Cumprir essas normas agora é questão de reputação. Um único vazamento pode comprometer anos de construção da marca. E como se não bastasse, ainda requer o fator humano, o elo mais vulnerável da cadeia. Um clique em um e-mail falso ou a repetição de uma senha fraca pode ser o suficiente para abrir portas que a tecnologia levou milhões para manter fechadas. Por isso, a jornada de maturidade em Segurança da informação, é uma necessidade básica.
Mas assim como a IA é um apoio, ela também traz novos impasses. Decisões automatizadas podem reproduzir preconceitos históricos, levantar questões éticas e até colocar em risco a confiança do público. A transparência nos algoritmos precisa acompanhar o avanço técnico. E a integração da IA com sistemas antigos ainda exige esforço.
A boa notícia é que é possível fazer essa transição com equilíbrio. Estratégia, governança e responsabilidade, são os tópicos principais, assim os bancos têm a chance de transformar esses desafios em oportunidades. A cibersegurança passa a ser um investimento que protege sistemas e relações.
O setor está em reinvenção e isso é bom. Mas essa reinvenção precisa vir acompanhada de uma consciência clara para inovar e proteger, verbos que devem andar sempre juntos. A defesa, quando bem estruturada, pode muito bem ser o melhor ataque.
Sobre Rafael Gontijo: Atualmente SDM na Framework Digital, possui experiência na gestão de equipes de arquitetura, DevOps e inovação tecnológica. Atua na liderança de iniciativas estratégicas, como a coordenação do bootcamp interno, gestão de ativos de TI e condução de projetos críticos. Participa ativamente das frentes comercial e de marketing, apoiando desde a elaboração de propostas até a transição inicial dos clientes, além de contribuir com campanhas e eventos. Colabora com as áreas de RH e segurança da informação na seleção de talentos técnicos e melhoria de processos. Também lidera esforços em inteligência artificial, desenvolvendo soluções e representando a empresa em eventos do setor. *Rafael Gontijo é SMD da Framework Digital.
Este artigo é de total responsabilidade do autor, nao representando, necessariamente, a opinião do Portal IPNews.
Participe das comunidades IPNews no Instagram, Facebook, LinkedIn e X

