A Claro firmou acordo para aquisição do controle da Desktop S.A., em operação que envolve a compra de aproximadamente 73,01% do capital da companhia. O negócio foi estruturado com base em um enterprise value de R$ 4 bilhões, com preço estimado em R$ 2,41 bilhões, equivalente a R$ 20,82 por ação, sujeito a ajustes até o fechamento.
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A transação será realizada por meio da Claro NXT Telecomunicações e ainda depende de aprovações do CADE e da Anatel. Após a conclusão, está prevista a realização de oferta pública para aquisição das ações em circulação, conforme regulamentação aplicável.
A Desktop atua na oferta de banda larga fixa, com foco em redes de fibra óptica em cidades do interior do estado de São Paulo. Dados da Anatel indicam que a empresa possui entre 1,1 e 1,2 milhão de acessos de banda larga fixa, e presença em 200 cidades, o que representa 7,5% do mercado paulista, enquanto a Claro reúne entre 3 e com 4 milhões de clientes na região (veja quadro abaixo).
Fundada por executivos do setor de telecom, como Denio Alves Lindo e Mucio Camargo de Assis Filho, a empresa construiu sua trajetória com foco em expansão de fibra óptica no interior paulista. A partir do crescimento orgânico e de aquisições de provedores regionais, a empresa atingiu escala e hoje figura entre os principais ISPs do país.
A leitura da base da Anatel posiciona a Desktop entre os principais provedores de banda larga fixa no estado de São Paulo, atrás de grandes operadoras nacionais. Nesse recorte, a empresa aparece entre os maiores provedores em número de acessos.
Números estimados – banda larga fixa em São Paulo (Anatel)
| Empresa | Acessos (aprox.) |
|---|---|
| Claro | ~3 a 4 milhões |
| Vivo | ~3 milhões |
| Desktop S.A. | ~1,1 a 1,2 milhão |
| TIM | ~500 mil a 1 milhão |
A operação amplia a base de acessos da Claro em banda larga fixa e aumenta a presença da operadora em mercados regionais. A análise regulatória deverá considerar os efeitos da combinação das bases no ambiente competitivo do estado de São Paulo.
Em outubro de 2025, a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) já manifestava ‘preocupações substanciais’ em relação à negociação em andamento entre a Claro e a Desktop para uma possível fusão dos negócios.
O relatório da Agência trouxe à tona uma análise preliminar que aponta os impactos negativos que a transação pode ter na concorrência do mercado, além da necessidade de avaliação por órgãos reguladores (Cade). De acordo com o órgão à época, uma possível aquisição aumentaria a concentração de mercado em São Paulo, elevando o Índice de Herfindahl-Hirschman (HHI) de 0,178 para 0,222, o que classificaria o setor como moderadamente concentrado.
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