A Confederação Nacional da Indústria (CNI) reforça o movimento em favor da consolidação do Brasil como um polo internacional de data centers, posicionando o país como protagonista da infraestrutura digital na América Latina. A entidade sustenta que o avanço tecnológico e a nova economia de dados colocam o Brasil diante de uma oportunidade histórica para captar investimentos e se destacar no cenário global.
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Segundo a CNI, os data centers se tornaram peça-chave na transformação digital, viabilizando o funcionamento de tecnologias como a Inteligência Artificial e a Internet das Coisas. A previsão é de que, até 2029, aproximadamente 60% de toda a capacidade global de armazenamento e processamento esteja concentrada nesses complexos. O Brasil, que já ocupa a 11ª posição no ranking mundial, com 163 unidades em operação, reúne elementos competitivos que podem impulsionar seu protagonismo – como uma das matrizes energéticas mais limpas do mundo e um mercado consumidor tecnológico em rápida expansão.
A entidade ressalta, no entanto, que essa vantagem natural precisa ser amparada por uma política pública sólida e integrada. Por isso, elaborou a Proposta de Política Nacional para Atração de Data Centers, baseada na criação de um ambiente de negócios competitivo, de energia sustentável e de incentivos fiscais e regulatórios. O objetivo é atrair investimentos voltados à exportação de serviços digitais e fortalecer a cadeia produtiva nacional. A proposta inclui a desoneração de equipamentos tecnológicos, a simplificação de processos, a ampliação de programas de capacitação profissional e a criação de marcos jurídicos previsíveis.
Para a CNI, investir em data centers vai além da inovação tecnológica: representa também uma estratégia de soberania digital e valorização da indústria nacional. A confederação estima que o plano possa gerar até R$ 7 bilhões em arrecadação tributária, ao mesmo tempo que atrai big techs, cria empregos de alta qualificação e estimula setores complementares, como engenharia, energia e serviços de telecomunicações.
“Nossa proposta alia o estímulo à internacionalização das empresas brasileiras com o fortalecimento da infraestrutura de dados local. É uma oportunidade estratégica para o país reduzir o déficit do setor de tecnologia da informação e se firmar como hub digital regional”, afirmou Jefferson Gomes, diretor de desenvolvimento industrial, tecnologia e inovação da CNI.
O diagnóstico da entidade reforça que o país já tem condições de fornecer energia renovável suficiente para suportar a expansão dos data centers, sem comprometer o fornecimento interno. Enquanto o consumo global de energia para esse tipo de instalação deve triplicar até 2030, o consumo brasileiro representa menos de 5% da capacidade total instalada – o que afasta o risco de sobrecarga e evidencia o potencial sustentável da operação local.
Além de contribuir para a descarbonização da economia mundial, os data centers também impulsionam a geração de empregos e o desenvolvimento de competências tecnológicas. Para cada R$ 1 bilhão investido no setor, podem ser criadas de 7 a 8 mil vagas formais, com remunerações 60% superiores à média nacional. Esse efeito multiplicador se estende a toda a economia, uma vez que cada vaga direta gera, em média, outras seis indiretas, estimulando cadeias produtivas e o fortalecimento de ecossistemas de inovação.
Em um momento em que o governo federal busca avançar com o programa Redata – Regime Especial de Tributação para Serviços de Data Center – e a Política Nacional de Data Centers (PNDC), a adesão da CNI a essa agenda reforça a convergência entre o setor produtivo e as políticas públicas. Ambas iniciativas miram a criação de uma base sustentável de infraestrutura digital, com geração de valor, empregos e competitividade global.
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