Sem qualquer ação, base se restringe a 1/3.
O número de acessos em banda larga no Brasil pode mais que triplicar até 2020, caso sejam adotadas alavancas necessárias à expansão da Internet rápida no País. A previsão consta de estudo divulgado nesta quinta-feira, 02 de junho, pelo Sindicato Nacional das Empresas de Telefonia e de Serviço Móvel Celular e Pessoal (SindiTelebrasil).
O estudo “Contribuições para o Plano Nacional de Banda Larga”, elaborado pela consultoria LCA, aponta a necessidade de investimentos de R$ 144 bilhões para colocar o Brasil entre as maiores lideranças do mercado mundial de banda larga.
O número de acessos em banda larga no Brasil pode mais que triplicar até 2020 caso sejam adotadas alavancas necessárias à expansão da internet rápida no Brasil, e a as redes podem estar preparadas para ofertar velocidades significativamente maiores que as atuais.
De acordo com o levantamento, o atual número de acessos em banda larga é de 40,9 milhões, e pode chegar a 78 milhões em 2014 e 153,6 milhões em 2020, potencializando as estimativas de crescimento natural.
No entanto, caso nenhuma ação de incentivo pública ou privada seja adotada, essa expansão ficaria limitada a 57,3 milhões de acessos em 2014 e 93,2 milhões em 2020.
Para se alcançar essa evolução, que permite colocar o Brasil entre as maiores lideranças no mercado mundial de banda larga, seriam necessários investimentos de R$ 144,6 bilhões até 2020.
Velocidade
Pelas projeções, haveria também um incremento na velocidade de conexão. Hoje, a velocidade média dos acessos em banda larga no Brasil é de 1,7 Megabit por segundo (Mbps) e a maior parte dos acessos está concentrada na faixa de até 2 Mbps. Com as alavancas, 87,2% das conexões teriam velocidade acima de 12 Mbps em 2020.
A ampliação do número de acessos resulta também em melhora nos índices de penetração, que medem a quantidade de acessos em relação ao número de habitantes. Hoje, a penetração da banda larga é de 21,5%. Com as alavancas, esse percentual pode subir para 74,2% da população em 2020. Por esse cenário, o Brasil passaria a ter um perfil de acesso similar a países asiáticos e europeus.
O documento traz inicialmente um diagnóstico sobre a oferta atual dos serviços de banda larga no Brasil e, a partir dele, enumera os principais desafios e obstáculos que teriam que ser transpostos para impulsionar o uso de internet rápida no País. Entre eles, estão a elevada carga tributária, que onera o cidadão e os investimentos, e o custo dos terminais de acesso, como os microcomputadores.
Diferenças regionais
Utilizando-se de metodologia do Banco Mundial, o estudo distribui os municípios brasileiros em cinco diferentes grupos, de acordo com suas características socioeconômicas e de infraestrutura disponível. Propõe que cada um deles receba tratamento regulatório diferenciado e políticas públicas que incentivem o crescimento da demanda e a expansão das redes que suportam a oferta da banda larga.
Nesse sentido, planos para expansão do acesso às telecomunicações precisam considerar diferenças regionais brasileiras para que haja promoção sustentável dos investimentos necessários à massificação dos serviços.
O estudo conclui que a ampliação do acesso aos serviços implica na adoção de medidas públicas e privadas que desonerem e facilitem investimentos em infraestrutura e, ao mesmo tempo, incentivem a demanda. Isso viabiliza a ampliação da oferta, tornando disponível a infraestrutura –backbone, backhaul e última milha.
Para incentivar a demanda e atender as necessidades dos cinco diferentes grupos de municípios, o estudo sugere, além da desoneração tributária dos serviços, a ampliação do acesso a aplicações e conteúdos, garantindo a conquista da cidadania e inclusão social de toda a população.
Para o atendimento de áreas mais carentes é sugerida, entre outras medidas, a expansão de telecentros e lan houses e a adoção de política de subsídio direto para a aquisição de serviços e financiamento para a compra de terminais para a camada da população que hoje não pode pagar pelo acesso.
Para estimular a expansão da infraestrutura é proposta a desoneração da cadeia produtiva, a disponibilização imediata de espectro – como o das faixas de 700 MHz e de 2,5 GHz – a aprovação do projeto de lei 116/2010, que propõe novas regras para o setor de TV por assinatura, além de flexibilização regulatória.
O estudo aponta, por fim, para a necessidade de se estimular a oferta convergente de serviços (bundle) como uma das estratégias de barateamento do acesso para o usuário final.
* com informações do Sindietlebrasil

